domingo, novembro 06, 2005

Para o Ausente (Da série Inéditos e Dispersos)


Talvez não devesse escrever.
A dor tem me ensinado que as palavras matam o instante vivo,
golpeando a carne sem piedade.
Mas, enfim, choro sozinha,
e não sei fazer outra coisa que não seja tentar dizer.
Dizer que muitas vezes quis colo e não pensei em nenhum outro a não ser o teu.
Dizer que talvez tenhas ido embora sem ter a exata dimensão do que fizeste por mim.
Dizer que minha solidão diminui quando te imagino de algum modo presente.
Dizer que me proteges, com o carinho dos teus olhos, que trago sempre comigo.
Dizer que tinha o ouro do mundo quando teu sorriso se abria para mim.
Dizer que quando te despedias e me abanavas e eu sabia que logo te encontraria de novo me sentia segura.
Dizer que enxergava cada nuvem que encobria o brilho dos teus olhos.
Dizer que teus silêncios, tua tristeza e tua melancolia nunca me passaram despercebidos.
Dizer que morro um pouco a cada dia desde que te foste.
Dizer que não queria dizer tanto.
Dizer que trocaria todas, todas as palavras
por um gesto mudo,
por um gesto único,
pelo teu beijo em minha testa.

(Gláucia Retamozo)

8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Amei!!!!!!!!!!
Sinto o mesmo... Sem saber dizer.
O blog está lindo!

6/11/05 12:11  
Anonymous Anônimo disse...

Tuquinha,
A falta que me fazes é uma das razões pelas quais preciso escrever. E espero que esta seja também, a partir de agora, nossa casinha virtual. Vou te esperar sempre com um chimarrão.
Beijos,
da Mana que te adora

6/11/05 16:55  
Anonymous Anônimo disse...

Ticcinha,
Eu não poderia me sentir mais bem vinda do que com tuas palavras. Aliás, elas sempre me comovem e movem para além de onde eu imaginava que poderia ir. Estou certa de que o futuro nos reserva muitas margaridas, dias brancos e vidas inventadas. Enfim, amor que vive de palavras, palavras que dizem o amor.

6/11/05 17:01  
Blogger Lutti disse...

Que texto lindo. Também estou aprendendo a lidar com o ausente. E com o virtualmente presente. Também preciso reinventar meu jardim. Bem vinda, e que nossas flores inventadas também sejam reais e tenham perfume.

6/11/05 19:48  
Anonymous Anônimo disse...

lutti,
fico imensamente feliz q tenhas gostado do texto. E espero, de verdade, que na reinvenção do teu jardim voltes aqui, a visitar minhas margaridas. Quanto ao perfume...bem, estou certa de que nossas flores o tem.

6/11/05 22:59  
Blogger Janaina disse...

Glaucia, tuas margaridas têm um cheiro muito, muito especial... Boa sorte aqui e na vida. Um beijo.

6/11/05 23:09  
Blogger Gláucia disse...

Obrigada, Janaína. Que bom saber que alguém já sente o cheiro das margaridas.
Um beijo pra ti tbém.

7/11/05 00:16  
Anonymous Anônimo disse...

GLAU

ACHEI TÃO LINDO E PERFUMADO ESTE TEU JARDIM QUE ME CALOU E ME INTERROMPEU QUALQUER MENÇÃO DE POSSÍVEL ESCRITA, ALÉM DISTO, ME DEIXOU TÃO ENVERGONHADA QUE NÃO CONSIGO DIZER MAIS NADA ALÉM DE UM SIMPLES: MARAVILHOSO.
SABES QUE A ESCRITA NÃO É MEU FORTE POR ISSO NÃO PODEREI SE QUER CHEGAR AOS PÉS DAS MENSAGENS DAS GRANDES ESCRITORAS QUE JÁ PASSARAM POR ESTE BLOG.
TENHO PRA TE DIZER QUE O QUE TU ESCREVES E O QUE TU ME FALAS REPERCUTEM DE UMA MANEIRA DENTRO DE MIM QUE AINDA NÃO SEI BEM COMO EXPLICAR.
QUERO QUE SAIBAS QUE 2005 ESTÁ SENDO MUITO DIFICIL PRA MIM, DE MUITOS ACONTECIMENTOS MEDONHOS, MAS QUE, TER CONHECIDO VOCÊ ESTÁ FAZENDO ESTA TORMENTA SE TORNAR MUITO MAIS LEVE.
BEIJOS DA AMIGA DE HOJE E SEMPRE.
DANI

8/11/05 15:11  

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