Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Nós já compramos os nossos (Da série Bilhetes e Lembretes)

Eu não sei se vocês repararam, mas vai ser no dia 05/12. Dia em que este blog estará comemorando o seu aniversário de um mês. Que presentão!!!!!

4 Comentários:

Anonymous Niña disse...

Espero que vocês se divirtam pacas.
Beijos e parabéns pelo primeiro mês! :)

1/12/05 00:24  
Blogger Gláucia disse...

Niña, acho q vai ser muito divertido. E quando eles cantarem uma das minhas preferidas, vou lembrar de ti, de que gostarias de estar lá conosco.
Depois te conto qual foi a música.
Beijos,

1/12/05 01:10  
Anonymous Joelma disse...

Eu também vou Glau! Aliás, eu faço parte do MALHEDI - Mulheres que Amam Los Hermanos Demais (a pronúncia é algo meio afrancesado - risos). E sim, tenho todo o 4 e os outros discos na ponta da língua. No último show, no Opinião, nao tinha comido direito e passei mal. Com direito a quase dois desmaios, naquele forno e mar de gente. :) beijos querida
AH! em breve eu coloco link pra cá. Tô fazendo um postinho com todos os blogs novos que entravam na minha vida.

2/12/05 11:48  
Blogger Chico do Vale disse...

Não curto muito Los Hermanos, mas desejo a voces um ótimo show. Glaucia, voltei pra lhe dizer um oi. Estou um pouco sumido. Final de semestre, muito trabalho, aulas, viagens. Mas agora estou de férias e voltando a cuidar do meu blog e do meu site de fotografias. Voce nunca mais quis minhas fotos. Que desprezo, heim? Brincadeira. Tem fotos muito bonitas por lá. Viste o meu blog tambem. Dê um abraço no Rogerio. Beijo.

1/10/06 22:56  

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Terça-feira, Novembro 29, 2005

Los Hermanos (Da Série trilhas sonoras do dia)

E o antigo Bloco do Eu Sozinho cada vez aumenta mais. Já estão certos o Cristiano, a Dani, a Niña e a Gláucia. Pra vocês irem afinando pra segunda-feira:

O VENTO
(Rodrigo Amarante)

Posso ouvir o vento passar
assistir à onda bater
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei
que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar.
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
...vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- Não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
e isso por que?
Diz mais!
Uh, se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá
e se chover demais
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... ah!...

Adivinhem quem é que vai comprar os ingressos? Adivinharam...Exatamente, essa frô de furmusura que vos fala. Mas é que a Glaucinha tá de inferno astral, coisa e tal. Tô mimando...Vê se não acostuma, ó inimputável!

12 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Adorei, Margarida!!!!!!!!!!

30/11/05 00:30  
Anonymous Niña disse...

Estou triste em não poder ir. Que chato. :(:(:(

30/11/05 00:42  
Blogger Margarida disse...

Por que não poderás?

30/11/05 01:47  
Anonymous J.L. disse...

Eu sei que é totalmente fora do assunto, mas lembrei-me de vocês.
Papai que é um homem muito sensível tem como hobby fotografia e ele tirou uma foto bem legal de uma margarida.
Se quiserem dêem uma olhada:
http://www.photo.net/photodb/photo?photo_id=3881581
E se quiserem ver todas as fotos dele o endereço é:
http://www.photo.net/photodb/member-photos?user_id=633073&include=all
Beijo pra todas. Ainda não tinha comentado, mas tenho lido diariamente o blog de você.
É muitíssimo charmoso!! De muitíssimo bom gosto!!! Com poesias que têm me feito muito bem!
Parabéns!

30/11/05 13:38  
Anonymous Niña disse...

Moro longe, minha flor. :(

30/11/05 13:40  
Blogger Gláucia disse...

Niña, é engraçado vc morar longe e a gente estar tão perto. Teus últimos posts...
Quando vieres, eu quero te conhecer. Em fevereiro, vou pra Portugal, ver a Tuquinha. Se for a tua banda...podemos combinar.

30/11/05 14:15  
Blogger Gláucia disse...

j.l.
Fala pro teu pai que a partir de hoje ele é um homem com cinco fãs. Tietes, diz tietes. Que fotos lindas!!!!!!
A gente pode postar?
A gente postar pelo menos a margarida?
Ai, pede pra ele. Pede, pede, pede.
Fiquei tão feliz que lês diariamente o blog. 'Muitíssimo charmoso' adorei. Tô me sentindo. Obrigada. Mesmo. Volta sempre.
E pede pro teu pai.
Ó, tô de aniversário no sábado. Pede pra ele me dar de presente, pede!!!!!!!!!!!
beijos

30/11/05 14:23  
Anonymous Niña disse...

Gláucia,
Vamos combinar então para nos conhecermos. Infelizmente, Portugal não está nos meus planos (em fevereiro) ou sequer nas imediações. Mas se eu for ao Brasil, entrarei em contato.

-------------

j.l.: teu pai acabou de ganhar mais uma fã. Que fotos mais lindas!!! Uma mais linda que a outra.

Beijos!

30/11/05 14:43  
Anonymous J.L. disse...

Meninas, muito obrigada!!! Papai vai ficar TÃO FELIZ quando eu contar isso pra ele. Vocês não têm a menor idéia do quanto ele fica feliz quando alguem gosta das fotos dele.
Como ele é um homem internético, eu vou passar o endereço do blog pra ele entrar e falar pessoalmente com vcs!!!!
Que bom que vocês gostaram...mesmo roubando um pouquinho a foto dele é a minha maneira de oferecer algo a vocês, já que a 'escrita' não é meu forte!!!
Gláucia, por favor, fique bem à vontade de postar qualquer foto dele. Não tenho pedir autorização agora pois estou aqui no RS e ele lá em Minas e ainda por cima viajando. Mas vai por mim. Ele vai amar!!! Pode colocar!!!
Beijinhos meninas.
E saibam que já fizeram o dia do meu pai mais feliz hoje!! E por consequencia o meu também!

30/11/05 14:52  
Blogger Gláucia disse...

j.l.
Estou praticamente em surto. É um lindo presente de aniversário. Obrigada.

30/11/05 14:59  
Anonymous Keiko disse...

Gláucia,

Estou sempre por aqui. Até te achei no Orkut. Aliás, acho que és tu. Não tenho certeza. Te deixei um recadinho. Espero que não aches que foi uma invasão.
Estou com problemas gráficos no computador. Vejo tudo em letras minúsculas. Então não estou podendo escrever muito.

Aparece sempre. Beijo!

PS. j.l. Que fotos lindas!!!!!!!!!!Se esse é hobby do teu pai, imagina se ele fosse profissional. Meu Deus, as fotos são de suspirar! Muito lindas MESMO!

30/11/05 15:47  
Blogger Lívia disse...

Oh, tava ouvindo isso hoje!!

30/11/05 17:06  

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Para Niña (Da Série Nunca te vi sempre te amei)


Essa cousa foi postada nos comentários do Sagrados e Consagrados de ontem. É ou não é lindo? É ou não é de lavar a alma? É ou não é de dizer putz, que bom que eu te achei...

"A saudade aqui vira flor, ramalhetes, recados, troca e encontro. A saudade aqui preenche, une, aproxima. A saudade aqui é um istmo. É uma lágrima que atravessa o Oceano Atlântico, talvez até una dois hemisférios, faz um quadrilátero entre gentes que nunca se viram. A saudade aqui fulgura entre músicas de dois povos que re-inventaram saudade/sodade. Esta saudade recende a horas e cheiros, tem sabor, tem espera. Tem a oferta de flores de cada um que por aqui passa e inventa mais um sentir de saudade. Mas que dá as mãos para alguém que a gente só conhece por saber-se sodade."
Niña

3 Comentários:

Anonymous Niña disse...

Obrigada, Gláucia. Adorei que vocês adoraram. Foi uma belíssima surpresa ter meu comentário transformado em post e ainda nessa série tão especial. E com comentários tão generosos.

Beijo!

29/11/05 14:55  
Blogger Tuca disse...

Niña, assino embaixo da homenagem. Beijos.

29/11/05 17:51  
Blogger Tuca disse...

Calexico, também acho a saudade uma coisa bonita, muito bonita... Mas não creio que seja necessariamente irmã gémea da solidão. Pode ser simplesmente, e geralmente o é, uma bela recordação. Momentos, pessoas, imagens que passaram por nossas vidas e por algum motivo especial, nos marcaram, quedaram-nos incrustados. Só sentimos saudades do que e de quem gostamos... Não lamento senti-la! Ao contrário, é bom senti-la, pois somente através dela é que tranformamos o ausente, cerne da saudade, em presente em nós! Beijo.

29/11/05 18:15  

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Pearl Jam e Madredeus (Da série Imorais e Surreais)


Hoje (já é ontem, da vero) o acontecimento bloggal foi a invasão das gorduchas gostosas e das gordinhas exóticas. Essas Megeras são mesmo um bafo...
....................
Cada um com seu cada qual...
Ele acaba de chegar do show do Pearl Jam. Esta que vos escreve, surtada, acaba de confirmar que semana que vem têm Los Hermanos e Madredeus. Os doiiissss. Eu vou, eu vou, eu vou. Quem quer ir comigo?? Já convidei miles de pessoas nessa cidade e até agora ninguém deu certeza. Eu vou, nem que seja "O Bloco do Eu sozinha".
.....................................
Ainda em inferno astral (só acaba sábado), mas bem mais reconfortada com o que verei e ouvirei semana que vem, fiz até Supermercado. Depois de seis meses sem entrar num estabelecimento congênere (exceção feita aos casos de urgência urgentíssima, tipo pegar um pacote de absorventes e sair correndo, ou um fundamental gorgonzola faltante pr'aquele risoto com pêras), até que foi divertido! Comprei vários itens fundamentais, como sachet de açúcar (branco e orgânico), embora não coma açúcar, morangos, champagne (embora não beba), e outros...Esqueci do leite, do pão...Mas também, em inferno astral e depois de seis meses...queriam o que? Para de rir, Tuca.
.............................................
Ela (CL) disse:"Eu te reconheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti." Eita, eita. E eu fui ler logo hoje...
............................................
Ouvi: "tu és dez, sabia?" E ontem li a Clarice falando sobre o dez, pensei na perfeição do dez. Andei revendo o Abbas. Mas isso nem ouso falar, porque começa a parecer magia. E eu sinto mais medo ainda; tenho me machucado demais.
............................................
Final de semana fui a um aniversário. A decoração da mesa tinha margaridas. Fui a uma feira de natal. Todas as bancas tinham margaridas em algum objeto. Margaridas em todos os lugares...


6 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Impossível parar de rir!!! Nada mais fundamental que sachet de açúcar, morangos e champanhe... Esqueceste o chantilly?! Pão e leite, supérfulos!

29/11/05 12:25  
Blogger Tuca disse...

Show do Madredeus!!!!!!!!!
Estarei contigo!!!
Haja o que houver...
Beijos.
Te amo!

29/11/05 12:27  
Anonymous Niña disse...

Gláucia Querida,

Eu vou com vocês aos shows, posso? Eu adoro Madredeus. O nome da turnê deles chama-se "Um Amor Infinito"...lindo, né?

Beijocas!

29/11/05 14:45  
Blogger Gláucia disse...

Niña, eu vou adorar.
Podemos combinar por mail. Manda para margaridainventada@gmail.com e a gente se fala. Adorei saber q és daqui!!!!!!!!!!

29/11/05 18:52  
Anonymous Niña disse...

Gláucia minha querida,

Sou de Porto Alegre, mas (infelizmente) não moro aí. De coração eu estarei no show com vocês. Eu adorei saber que a gente iria mesmo juntas...não fosse a distância.

Beijo!

30/11/05 00:36  
Blogger Francisco J. V. disse...

Pearl Jam? Mas Pearl Jam não é Calcinha Preta em inglês? Tu não oferece um aparelho de surdo a esse homi?

2/12/05 18:40  

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Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Andança (Da Série trilhas sonoras do dia)


Vim tanta areia, andei
Da lua cheia eu sei
Uma saudade imensa
Vagando em verso, eu vim
Vestido de cetim
Na mão direita rosas
Vou levar

Olha a lua mansa a se derramar (Me leva amor)
Ao luar descansa meu caminhar (Amor)
Vim de longe léguas cantando eu vim (Me leva amor)
Eu não faço tréguas, sou mesmo assim (Por onde for quero ser seu par)

Já me fiz a guerra por não saber (Me leva amor)
Que esta terra encerra meu bem-querer (Amor)
E jamais termina meu caminhar (Me leva amor)
Só o amor me ensina onde vou chegar (Por onde for quero ser seu par)

Rodei de roda, andei
Dança de moda eu sei
Cansei de ser sozinho
Verso encantado usei
Meu namorado é rei
Nas lendas do caminho
Onde andei

No passo da estrada só faço andar (Me leva amor)
Tenho a minha amada a me acompanhar (Amor)
Meu olhar em festa se fez feliz (Me leva amor)
Lembrando a seresta que um dia eu fiz (Por onde for quero ser seu par)

Já me fiz a guerra por não saber (Me leva amor)
Que esta terra encerra meu bem-querer (Amor)
E jamais termina meu caminhar (Me leva amor)
Só o amor me ensina onde vou chegar (Por onde for quero ser seu par)

Por onde for quero ser seu par

(Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi)
Imagem: Luis Zilhão


4 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Ah, ainda bem que desta vez gostaste...
Esta música é linda! E adoro tirar coisas do baú.
Beijos... Directamente do túnel do tempo!

29/11/05 00:18  
Blogger Tuca disse...

Glau, não consigo comentar no "vazo"... Nem com Mozila nem na Internet :(

29/11/05 00:19  
Blogger Gláucia disse...

Eu sempre gosto, ó doidivanas!!!!!!!!!!

29/11/05 00:58  
Anonymous Beija-flor disse...

Ai....como essa música me lembra coisas...boas!!

4/12/05 20:33  

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Toda Despedida é uma morte (Da Série Sagrados e Consagrados)


Sahi do comboio,
Disse adeus ao companheiro de viagem,
Tínhamos estado dezoito horas juntos.
A conversa agradável,
A fraternidade da viagem,
Tive pena de sahir do comboio, de o deixar.
Amigo casual cujo nome nunca soube.
Meus olhos, senti-os, marejaram-se de lágrimas...
Toda despedida é uma morte...
Sim, toda despedida é uma morte.
Nós, o comboio a que chamamos a vida
Somos todos casuaes uns para os outros,
E temos todos pena quando por fim desembarcamos.

Tudo que é humano me commove, porque sou homem.
Tudo me commove, porque tenho,
Não uma semelhança com ideias ou doctrinas,
Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.

A criada que sahiu com pena
A chorar de saudade
Da casa onde a não tratavam muito bem...

Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo.
Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.

E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.

Álvaro de Campos
Imagem: Carla Cristina Brás, Adeus...

5 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Clarice, a saudade lateja nos corações dos que amam e não podem estar juntos. Os blogs são apenas um meio de manifestá-la. Obrigada pela visita. Volte sempre!

28/11/05 19:20  
Blogger Tuca disse...

Calexico, adoramos seus comentários! Beijos.

28/11/05 19:24  
Blogger Tuca disse...

Lili, também amamos Pessoa!

28/11/05 19:25  
Blogger Tuca disse...

Niña, sem palavras... Amei o que escreveste!!! Beijos cheios de sodade...

29/11/05 12:09  
Anonymous Niña disse...

Que bom, Tuca. Fico cheia de alegria de estar entrando aqui e me fazendo presente com meus escrevinhados.
Beijo de encontro!

29/11/05 13:53  

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Domingo, Novembro 27, 2005

Ela é colorada!!!! (Da série Diálogos Inusitados)


Logo após almoçarem num dos restaurantes prediletos da jovem moçoila Clara Lua (que ainda não fez dois anos, sagitarianinha cheia de vontades e preferências...), entrando no carro pra voltar pra casa, a mamãe (gremista) se vira pra criança:
- Agora nós vamos tirar uma soneca, né filha?
- Nô qué. Vê jogo Inter.
O pai (colorado), já devidamente fardado e paramentado para comparecer ao Beira-Rio, quase chora e beija e beija e beija. Enquanto ele faz a volta, emocionado, pra entrar no carro, ela repete pra pobre mãe, boquiaberta:
- Clarinha nô qué dormi. Clarinha qué vê jogo Inter.
Sim, senhoras e senhores, isso aconteceu comigo...E vos dou meu testemunho.

Imagem: dele

6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Esta é a minha neta!!!!
De opinião!!!
"No qué dormi, qué ve jogo Inter!!"
É isso ai, mais uma torcedora para o time!!
Amo vcs.

27/11/05 22:32  
Blogger Tuca disse...

Esta guria sabe das coisas!!!!!!!!!!

27/11/05 23:19  
Anonymous Bel disse...

É isso aí, Clara! A paixão é mesmo vermelha!!!!! Cor do calor, do amor e da democracia, embora, as vezes, um tanto desbotada. Bem vinda ao time!

28/11/05 15:33  
Anonymous Solienuzza disse...

Ela come granola antes de dormir, não podia dar boa coisa...

28/11/05 23:44  
Blogger Gláucia disse...

Vou rever essa questão da granola, colega, ainda mais agora, q tu tá virada numa verdadeira autoridade em matéria gastronômica.
Te Adoro.
E parabéns pelo blog.

28/11/05 23:51  
Blogger Maragato Louco disse...

Tuca, sua traíra, traidora, vira-casaca, a vida toda foi uma não-sei-de-que-time-eu-sou, agora fica estimulando a guria, certamente em crise, a ser colorada? má influência, só pode, tem que reverter esse quadro!!!

29/11/05 10:11  

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Ó Gente da Minha Terra (Da Série Canções do Exílio)


É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi


E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi


Amália Rodrigues/Tiago Machado
Imagem: Marcos Fernandes

2 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Glau... Amei que amaste... Vais adorar o fado! É lindíssimo!!! Beijo.

28/11/05 01:00  
Blogger Tuca disse...

Keiko, obrigada pelo "vocês duas são o que há"... Irmã longe, é isso que dá!

28/11/05 01:02  

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O cravo e rosa (Da Série Pergunte ao Pó)



Num tempo feliz, ele reinventava o mundo pra ela, e nas esquinas tortas esfregava suas mãos vigorosamente pela brancura dos braços magros, perguntando se não sentia frio. E riam. E andavam pela praça. E queriam estar juntos. E sentiam falta um do outro quando se separavam. Um dia, reinventou um pedacinho da infância dela, que ficou muito mais bonita, cantando assim: "o cravo correu com a rosa, ao longo de uma enseada, o cravo voltou cansado e a rosa descabelada; o cravo brindou com a rosa, sentado numa calçada, o cravo falou bobagens e a rosa deu gargalhadas".
Mas veio um tempo outro, de angústias e medos. Ele disse, então, que não era bem assim. Não, não era. Uma canção tradicional a gente não reinventa impunemente. E para reinvenções é preciso tempo. Não temos tempo. É melhor ficarmos com o cravo que brigou com a rosa ...que ficou despetalada...

Imagem: Barbara Mock

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Não, Margarida, não há tempo para reinvenções... podemos reinventar todos os dias, todo e qualquer tradicional. É por isso que estamos aqui!

28/11/05 01:08  

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Sábado, Novembro 26, 2005

Mr. Cafeína (Da série nunca te vi, sempre te amei)


Para Mr. Cafeína
Talvez porque conheça os poços e porque nos veja tão bem de tão longe e reconheça a 'passagem de uma grande dor' e atravesse o mar para dar a mão e saiba o valor de uma margarida e nos aClaricie e sinta saudades de Porto Alegre no verão e goste de sorvete Conaprole de menta com chocolate. Ou quem sabe por vir de 'galáxias silvestres' e ser 'amigo dos morangos que nunca morrem'... e por tantas outras coisas não-sabidas, mas pré-sentidas, tens nosso amor desde antes do tempo que teceu esse terno encontro, em forma de flor.

Imagem: presente dele

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Calexico, "o patinho feio a encontrar sua turma de cisnes" é demais! Belíssima metáfora! Beijo.

28/11/05 01:12  

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Dia de Sol (Da série Informes do Tempo)


Porto Alegre, dia de sol, temperatura um pouco mais amena. Vamos trabalhar no divã. E eu deitei. A princípio um pouco desajeitada, tateando, primeira vez; enquanto lia sobre desamor, as lágrimas escorriam e escorriam; me voltavam à memória o contorno, o sorriso, o olhar, o reconhecimento, o medo, a dor, a perda. Fizeste uma leitura corajosa. Amalgamar palavras e corpo...Paramos por aqui. Chorando muito, sai pensando se eu queria ser corajosa. Se eu queria saber ler os não-ditos.

Encontrei o Leandro; fomos correr. E ele me fez rir durante toda a corrida. É a mistura perfeita de anjo-irmão-amigo-companheiro. Não fazia idéia de onde eu vinha. Me disse a seguinte pérola: tens que cuidar o ritmo da corrida, com esse teu MP3, pois dependendo da música tu larga na frente igual cavalo xucro e depois não tem fôlego pro final. Morri de rir. Adorei 'cavalo xucro'. Vimos juntos o sol se pôr, enquanto corríamos e dávamos sonoras risadas. E, evidentemente, depois de um banho, eu era outra mulher. Aí vi o que ele fez. Definitivamente, dia de sol em Porto Alegre. Temperatura um pouco mais amena.

Imagem: Carolina Beatriz Scarpin

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Acho que mais difícil do que saber ler os não-ditos, Harriet, é querer lê-los!
Também adorei "cavalo xucro"...

28/11/05 01:17  

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Esperando o avião (Da série Sagrados e Consagrados)




Quando chegares ao aeroporto,
ainda não terás chegado;
quando chegares até meu abraço
- meu abraço -
ainda não terás chegado;
quando chegares a nossa casa
- a nossa casa -
ainda não terás chegado;
quando chegares até meu leito,
até meu leito - até meu leito -
ainda não terás chegado;
quando chegares até o centro,
até o centro de meu ser,
ainda não terás chegado,
ainda não terás chegado.

Mas quando fores para teu leito
- teu leito -
mas quando a sós adormeceres
- adormeceres -
e quando tudo estiver escuro
- tudo escuro -
quando eu, de pé, ao pé de teu sono,
sentir teu sono, teu sono justo -
aí então terás chegado,
terás chegado
aí, Amor, terás chegado.

(mário faustino)
Imagem: Ana Filipa Scarpa

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Lindo poema. Adorei!

28/11/05 01:53  

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Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Tristeza (Da série Informes do Tempo)


É duro viver esses dias assim, de tempestade e de tristeza, angústia e falta, tratando de tecer o pano que me aquecerá na tua partida, sendo, a meu modo, mais alta e viva que a ferida. Despeço-me, pois, se é despedida, despindo-me de tudo que não sou eu - não soube ser; me despedindo de tudo que não é meu - não pude ter. Indiferente que tenha sido muito cedo ou muito tarde. Não é o tempo que me causa alarde, mas uma crueldade que se alimenta da incapacidade de colher os frutos, no amanhã que já arde e anuncia a morte.


Imagem: Gonçalo Pereira

4 Comentários:

Blogger Clarice disse...

Nossa.. tocou la no fundinho da alma. =~ Talvez seja por que eu estou nesse tempo de tempestades.. =/

Lindo Blog, parabéns!

25/11/05 09:37  
Blogger Gláucia disse...

Que bom que tocou. Acho q a melhor parte de escrever é essa. Tocar o outro.
Obrigada 'lindo blog'.
bjos,

25/11/05 14:13  
Anonymous Daniela disse...

Glau

Amei...
Pesado, mas amei..
Beijos
Dani

25/11/05 23:28  
Blogger Tuca disse...

Que a tempestade banhe tua alma e leve consigo a tristeza que nela se alojou.
Forte abraço!

28/11/05 01:29  

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Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Escolha (Da série Pergunte ao Pó)

Muito intensa. Foi o que ele disse. Intensa demais. É bom, mas é ruim. Sofre muito...Pois é, sofre muito...Mas não é uma escolha. Assim como escrever não é uma escolha. Assim como os olhos úmidos de olhar o mundo não são uma escolha. Mas continuar é uma escolha. Intensa, escrevendo, olhos úmidos...



Imagem: Ceu Guitar

5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Não é demais, baby, é muito, só. Sigo a tua trilha, apenas (é o contrário de quando corremos) um pouco mais devagar. Beijo.

25/11/05 18:39  
Blogger Gláucia disse...

te adoro, anônimo.

25/11/05 21:25  
Anonymous José Carlos disse...

Engraçado...

26/11/05 01:05  
Blogger Harriet disse...

O que é engraçado, Zé Carlos?

26/11/05 01:10  
Blogger Tuca disse...

Continuar é a melhor escolha, Harriet!

28/11/05 01:41  

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Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Saudades de ti (Da série Bilhetes e Lembretes)


Tuca,

Ao reler a carta da Dora, sinto saudades de ti. Também sinto saudades do meu pai. Do nosso pai. Do que éramos com ele, nele, para ele. Saudades de tudo, como a Dora. Dia desses falei “meu pai tem diabetes”. É; assim mesmo, no presente. Algumas vezes esqueço que ele se foi. Parece apenas uma ausência, como a tua. Outras vezes, desaba em mim um peso que não consigo carregar, quando penso nunca mais. Nunca mais é muito tempo. E nessas ocasiões ele me vem com toda a força. A imagem da mansidão. O sorriso sempre melancólico. Os livros, os poemas. Também olho alguns retratos. Sabe, tem um que me entristece especialmente. Nele ele olhava para a Clara. Ela, mirradinha, com apenas dois meses. Ele a tomando nos braços. Rolou uma lágrima grossa no rosto dele. Acho que foi um intervalo de lucidez. Acho que ali, naquele instante, ele soube quem era ela. Ele soube quem era ele. Ele soube... Sinto tantas saudades que nem sei...

gláucia

Imagem: no vazio paro para respirar, nuno chaves

2 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Sei... Eu tenho esta foto!!!

28/11/05 01:47  
Blogger Tuca disse...

Também sinto saudades... Do pai, de ti, de tudo... Tal como a Dora.

28/11/05 01:51  

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A Carta de Dora (Da Série Cartas Reenviadas)

Josué,
Há muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém. Agora eu tô mandando esta carta pra você.
Você tem razão, o seu pai ainda vai aparecer. E com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é.
Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. Ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira.
Quando você estiver cruzando as estradas com seu caminhão enorme, espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão num volante.
Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. Você merece muito, muito mais do que eu tenho pra te dar.
O dia em que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isto porque tenho medo que um dia você também me esqueça.
Tenho saudade do meu pai.
Tenho saudade de tudo.
Dora

(António Pinto/Jaques Morelembaum)
Imagem: divulgação do filme Central do Brasil

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Você não me ensinou a te esquecer (Da Série trilhas sonoras do dia)


Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus braços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

(Caetano Veloso, Bruno Mattos, Odair José)
Imagem: Penando, Victor Melo

2 Comentários:

Anonymous Martinha-RJ disse...

Adooooooooooro esta música!!!!!!!

27/11/05 14:22  
Blogger Tuca disse...

E eu quase "cortei os pulsos" porque ela disse que era brega, porque achei que não havia gostado... A gente faz de tudo para agradar a criatura e ela faz uma falseta destas... Pode deixar, da próxima vez vou postar Falcão, "I'm not dog no"!!!

28/11/05 01:46  

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O Sol volta a raiar (Da Série Informes do Tempo)



Após cinco dias cinzas
de chuva constante,
O Sol volta a raiar,
com toda sua intensidade,
na terra de Camões.

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Terça-feira, Novembro 22, 2005

Em todas as ruas te encontro (Da série Sagrados e Consagrados)


Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
 
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco


(Mário Cesariny)

Imagem: divulgação do filme "Fim de Caso", Columbia Pictures

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Vvviiiuuuuu???????

24/11/05 21:19  

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Natal das Dores (Da série Fora de Série)

Turma das Dores: estão abertas as discussões sobre o Natal.

15 Comentários:

Anonymous Bel disse...

Glau, não queres me mandar um e-mail? Pois estou com teu endereço eletrônico desatualizado! No domingo ficamos com o teu bloquinho, tem alguns nomes e telefones, não sei se estão te fazendo falta.
Ao povo em geral: ficou decidido o dia 18/12, domingo, para o grande evento. Será cedo, tipo happy hour, na casa do Leo (sei que é na Anita Garibaldi, depois ele confirma o endereço). Ainda vou ligar para o GAPA para ver se eles tem uma lista de locais que atendem crianças soropositivas carentes. A Karen sugeriu de aderirmos à campanha da 1ª Dama, onde podemos comprar brinquedos e alimentos e entregar no Zaffari ou no Banrisul.
Este ano poderemos inscrever fotos (nossas e do povo em geral) para participar do concurso. Por enquanto temos as segintes categorias (aberto a sugestões): - continuo igual, mas o meus cabelos... (para os camaleões do grupo)
- os anos lhe caíram bem (essa todos vão querer ganhar)
- me escondi, mas estava lá (para aquelas fotos em que aparece só um pedaço da pessoa, pois o restante foi cortato pela perícia técnica do fotógrafo - a Dodó tem uma foto dessas onde só aparece o nariz dela, a gente sabe que é ela porque a mãe reconheceu o nariz)
- Eu juro que era moda (para as estravagâncias nos modelitos - quase todas as fotos anos 80 podem entrar nessa categoria)
- Eu bebo, sim (para aquelas fotos em que, não se sabe como, acabamos saindo com cara de bêbados)
- todos estamos bem (ganha quem inscrever a melhor foto do grupo)
- coisa mais querida (onde cada um pode inscrever uma foto sua criança)
- e a Karen ainda sugere revival anos 80 (para fotos com direito a ombreiras, cores cítricas, brilhos e cabelão) Não sei se esta categoria permanece a parte ou fica subsumida na eu juro que era moda. O que vocês acham?
Por favor mandem comentários.
Para quem não foi ou não ficou até o fim da reunião, os presentes este ano serão para uma Instituição. Para o amigo secreto a gente dará uma mensagem, poesia, ou qualquer coisa que tenha a ver com ele. Também fica em aberto dar um presentinho, mas não teremos lista de sugestões.
Por enquanto é isso. Aguardo contatos. Bel

23/11/05 12:23  
Blogger Gláucia disse...

Eu prefiro doações para as crianças soropositivas carentes. Não quero fazer campanha com a Primeira Dama. Sorry!!!!!
Adorei a idéia das fotos e das categorias. E o CD? Não vai ter CD?
Até já escolhi uma das minhas músicas. (Eu, que sempre sou a última)

23/11/05 14:11  
Anonymous Bel disse...

Também prefiro às crianças a colaborar com o Gabinete da esposa do meu algoz, que segue na política de matar de fome seus funcionários. Já consegui junto ao GAPA o nome e telefones de uma Instuição - Mais Criança - só que eles não atendem o telefone por lá. Hoje à noite vou ligar para o Júnior que é voluntário lá, pra saber como é o lugar e do que eles precisam.
O CD segue tradicional, é para separarmos 2 músicas cada um que o Leo vai pendular, como no ano passado.
Vou ver se consigo mandar e-mail pro resto do povo, dizendo que já temos nosso espaço no Margarida.
Até o próximo contato,

23/11/05 17:10  
Anonymous Dodõ disse...

Digito de Bage, as coisa estão finalmente tomando forma, a clinica ja tem ate banho marcado para semana que vem. Tinha uma vacina ontem mas o proprietario desistiu de vacinar. quanto ao natal prefiro crinças do que first lady. ate quando posso escolher minhas musicas, nao tenho pontuação nem acentuação, a categoria revival 80 tem que ficar junto com eu juro que era moda, minha opinião. bem por hora e isto, beijos mil.

25/11/05 21:34  
Anonymous leo disse...

Oi amores,
etão está decidido: CRIANÇAS DO GAPA (super democrático!! Eh, Eh!)

Meu endereço é R. Anita Garibaldi, 1924, ap. 1208, telefone 91424388.

Para o CD preciso das músicas o mais rápido possível...

Preciso definir o cardápio: pizzas ou quiches??

Bel, vou procurar o CD que deve estar na casa da mãe!!

Dòdó, estamos torcendo por você!!!

26/11/05 11:53  
Anonymous Leo disse...

ps: beijos disseminados.

26/11/05 11:54  
Anonymous Karen disse...

o revival anos 80 pode ficar no juro que era moda, ou o contrário, mesma coisa. sugeri as fotos de criança pra termos pelo menos um momento em que estamos bonitinhos...eh, eh... só falei na campanha da primeira dama caso não conseguíssemos uma instituição para entregar os brinquedos, porque era só deixar no super, só isso. crianças do gapa tá ótimo. prefiro as quiches. beijos. karen.

26/11/05 12:59  
Anonymous Dodó disse...

Fico feliz pela torcida, Leo te passo as músicas segunda, deixo com a Bel. Meu voto vai para qiches. vamos definir quantas categoris e eu monto dois ou tres troféus (tá certo, ponto interrogação). Beios bageenses.

26/11/05 14:00  
Anonymous Bel disse...

Ôba gente,
Que bom ver vocês por aqui, já tava preocupada, pois até ontem só tinha os comentários meu e da Glau.
Ainda não consegui falar com o Mais Criança, ninguém atende os números de lá.
Leo, eu tinha entendido que nossa opção eram os quiches da tua sogra. A opção das pizzas somente foi aventada para o caso de tua sogra não poder mais aceitar encomendas devido ao grande números de pedidos para o Natal. Se tu não tiveres a Savanah Song, também serve a Killing Moon do Echo & The Bunnymen, da mesma série revival 80's.
Ainda estou escolhendo a outra, o problema é que praticamente todas as minhas músicas estão no computador que tá uma #@%$*&¨#@! Ainda tô em dúvida entre uma triste que marcou um momento bem triste pra mim deste ano (que periga não entrar no critérios do pêndulo) e uma cheia de esperança (do tipo que normalmente escolho, mas depois me sinto meio/completamente idiota, pois todo o fim de ano renovo as esperanças, mas não renovo as atitudes!)
Dodó, não esquenta com os prêmios que qualquer coisa eu me viro com a Karen - até já falamos sobre isto - pode ficar sossegada, pois sabes que sou "muuuuiiiito BOA" -he,he,he!- em trabalhos manuais! (Agora mesmo é que a Dó não dorme mais!!!)
Pessoal,
Vamos começar a fazer aquela devassa nos baús de fotos!
Dó aquela tua caixa verde, cheia de preciosidades, tá aqui em POA ou levaste pra Bagé?
Beijos mil

26/11/05 17:02  
Anonymous Karen disse...

Dodó, se tu fores fazer os prêmios aqui em POA, vamos fazer juntas que nem no ano passado? Foi divertido!!! Será que terei que fazer com a Bel? Ai, ai, ai,... Brincadeirinha!!!!! Olhando fotos antigas, tive outras idéias de categorias, tipo: eu era magra e não sabia (pelo menos não me achava). "O tempo passa, o tempo voa..."
Bjs, Karen.

27/11/05 13:13  
Anonymous Dodó disse...

Estão faltando manifestos da Déia e Angelo, Claudio e Mariano e das Lus. Estou aqui em Bagé vendo o jogo do Inter. Karen não sei se poderi dispor de tempo para passa um dia em POA confeccionando os troféus(!). Minha caixa de fotos está em poa, mas vou escolher as fotos que vou enviar. Legal esta nova categoria, mas temos que definir tudo logo. Karen qq coisa pede socorro para o Mariano e deixa a Bel servindo cerveja, afinal acho que assim ela ajuda e a gente não corre risco algum, como ela ficar presa, colada, a algum troféu, ou não caberem as fotos....Brincadeirinha. Beijos Mil

27/11/05 16:12  
Blogger Tuca disse...

Adorei a categoria "juro que era moda"! A Glau certamente vai ter muita foto para compô-la! Por favor, depois publiquem (ou apenas mandem por mail se for muito escandaloso). Polainas, balonés, ombreiras... Esta geração de vocês, hein?! Me safei... Beijos a todos.

28/11/05 02:05  
Anonymous andrea disse...

OI, pessoal
estou fazendo um primeiro contato. Bel, te liguei na quinta ou na sexta, e não estavas, deixei recado, e não deu para insistir no findi, pois fiquei sola com o nenê.
Está ótima a agilização de todos e já ressalto minha concordância com a data e o destino dos "presentes".
Estou providenciando a música e assim que possivel mando pro leo, ok?
Quanto ao cardápio, quiches está ótimo para nós.
Gostei do horário do evento, pois assim posso me organizar com o Caetano, que, a principio irá também.
Um beijo grande nosso.
Déia & cia.

28/11/05 09:15  
Anonymous Bel disse...

Déia, acho que estamos todos contando com a presença do Caetano. Dia desses te liguei também, mas ninguém atendeu, queria te contar o sonho que tive com o Caetano e a Manuela.
Como no ano passado, são, em princípio, 2 músicas, a principal e a subsdiária, pois pode sobrar espaço no CD. estou com os papeizinhos do teu amigo e do Ângelo, não sei como fazer pra te passar.
Aproveita a licença, entre uma mamada e outra, e já vai vasculhando teus albuns de fotos, em busca de preciosidades.
Beijos,
Bel

29/11/05 11:13  
Anonymous Anônimo disse...

Repito o email que mandei:
Pessoal, estive ligando para o Mais Criança para fazermos a doação de natal, mas os telefones estão desconectados ou não atendem. Daí resolvi ligar para o Asilo Padre Cacique e fui muito bem atendida. Quem sabe fazemos nossa doação para os velhinhos? Eles precisam de alimentos não perecíveis (arroz, feijão, açúcar, bolachas, café...), fraldas descartáveis, artigos de higiene (sabonetes, xampu, creme dental..., até algum perfume que vc ganhou e não gostou), roupas (usadas em bom estado), roupas de cama..., enfim! Eles também precisam da nossa atenção!!! É só combinarmos o dia da visita (qualquer dia), ligar pra lá com um dia de antecedência e irmos (eles preferem que seja no período da tarde). Além de tudo, o local é perto.
O que acham? Por favor, se manifestem o quanto antes.
Beijos a todos, Karen.

6/12/05 15:09  

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Naufrários e Despojos (Da série Inéditos e Dispersos)


Pensava em naufrágios e despojos. Nas manhãs que os sucedem. Na intimidade forçada dos náufragos com os náufragos, com a vastidão do mar. Na quantidade de vontade de viver necessária para juntar despojos e voltar a sonhar após naufragar. Na ternura que é possível restar no olhar de quem o faz.
Em silêncio, rumo à praia, em busca do que o mar me poderia devolver, sigo olhando atenta, buscando palavras, memórias, pedaços do quer que me prove que não naufraguei sozinha. Ou que, pelo menos, não inventei sozinha o navio. Viajava. Não estava só. Havia alguém comigo, embora eu não o saiba nomear e não possa lembrar seu rosto. Sentada na areia procuro as estrelas. Lágrimas grossas e silenciosas; ecos que não consigo identificar. Em vão procuro e tateio no escuro. Sou de novo a menina que se perde da mãe no meio da multidão. E busco meus despojos na manhã que virá.
(gláucia retamozo)
Imagem: Leonardo Tricot Saldanha

1 Comentários:

Blogger LeonardoTS disse...

Uma imagem evoca coisas diversas para pessoas diversas, e nisso reside sua força. Para os cartesianos que ainda não morreram, porém, este fato gera estranhamento.

Desde o momento em que vi a cena de crianças brincando na proa de um navio abandonado pensei na importância da nave - que, antes, navegava - para a vida das crianças. Algo como o passado e o futuro, a realização dos desígnios do navio por caminhos imprevistos. Supus a maravilha de possuir um brinquedo daquele tamanho, ainda mais em uma cidade portuária (Punta Arenas), em que os barcos povoam o imaginário.

Pensei no futuro, na esperança, na construção das individualidades. Talvez por que, há muito, não leio "A Paixão segundo G.H.".

Leonardo

26/11/05 12:02  

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Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Marcos Caiado - (Da Série Sagrados e Consagrados)



por fora,
trago o sabor
da amora;

por dentro,
uma saudade
que devora.

por fora,
comemoro
a vida;

por dentro,
sou veia cava
obstruída.

por fora,
um banquete
sobre a mesa;

por dentro,
essa dinamite
acesa.

morreu o cravo,
sonhando
a margarida.

no próprio espinho,
a rosa,
se viu ferida.


por fora,
a poesia move;

por dentro,
o verso suicida.

(marcos caiado)
Imagem: gettyimages

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Pedido (Da série Sagrados e Consagrados)



Si muero sobrevíveme con tanta fuerza pura
que despiertes la furia del pálido y del frío,
de sur a sur levanta tus ojos indelebles,
de sol a sol que suene tu boca de guitarra.

No quiero que vacilen tu risa ni tus pasos,
no quiero que se muera mi herencia de alegría,
no llames a mi pecho, estoy ausente.
Vive en mi ausencia como en una casa.

Es una casa tan grande la ausencia
que pasarás en ella a través de los muros
y colgarás los cuadros en el aire.

Es una casa tan transparente la ausencia
que yo sin vida te veré vivir
y si sufres, mi amor, me moriré otra vez.

(Pablo Neruda)
Imagem: Não Me sai poesia, de Maria Avelino

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Pois, Miranda... A ausência é uma casa grande, transapente e vazia! E somente com saudade poderemos habitá-la!

28/11/05 01:39  

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Injustiça Dói (Da série Protestos e Manifestos)


Sou gremista. Não estava, portanto, torcendo pelo Inter no jogo de ontem. Mas o Pacaembu silencioso a ponto de se poder ouvir os colorados presentes (evidentemente, em número menor que os corintianos) a gritar "vergonha, vergonha", faz a gente pensar que, pelo menos para a maioria, a qualquer preço não vale a pena. Ou seja: injustiça ainda dói. Nem tudo está perdido. (Leia mais sobre o jogo aqui)

Imagem: O Jogo - Antônio Silva

1 Comentários:

Anonymous Tuca disse...

Injustiça!!!!!!!!!
Injustiça!!!!!!!!!
Injustiça!!!!!!!!!
Até o corinthiano aqui do lado ficou com vergonha...... Com favorecimento perde a graça.

24/11/05 22:44  

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10 k sob sol forte (Da série Imorais e Surreais)


A pessoa acorda atrasada para a corrida e abre a janela. Dia nublado. Se veste e vai rapidamente rumo ao marco zero, onde já está sendo esperada pelo seu quase-santo companheiro de corrida, o André. Sai sem protetor solar, evidente, pois estava com toda a cara de chuva. Depois de terem corrido cerca de 1km, eis que o sol aparece. Mas não um solzinho assim, coisa pouca. SOL. Forte. Muito forte. Resultado: ela ficou transformada num archote (havia saído, ainda bem, de calças). Agora eu, uma pessoa precavida, que jamais vai à rua sem o seu filtro solar, tenho que passar hidratante nos ombros e braços da querida de uma em uma hora. E a cousa ainda tem cheiro de baunilha. Posso com isso? Ninguém merece...

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Sua demente!!! Branca como leite... Vais virar um pimentão! Adoro metáforas gastronómicas...

28/11/05 01:50  

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Sábado, Novembro 19, 2005

De Amor (Da série Sagrados e Consagrados)



Despede-te de mim, bate devagar a porta:
tenho vontade de recomeçar, reerguer escombros,
ruínas, tarefas de pão e linho, não dar
nome às coisas senão o de um vago esquecimento,

abandono. Despede-te de mim como se a vida
recomeçasse agora, não me procures onde
a memória arde e o destino se ausenta.

Tudo são banalidades, afinal, quando assim
se recomeça e a vida falha como um material
solar e ilhéu. Levamos poucas coisas, basta
um pouco de ar, os objectos fixos, em repouso,

os muros brancos de uma casa, o espaço
de uma mão. Arrumo as malas e os sinais,
aquilo que nos adormece em plena tempestade.

Francisco José Viegas
(de 'O medo do Inverno', Metade da Vida)
Imagem de Pedro Libório

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Japonesamente (Da série hai-kai)



chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo
Buson
Tradução de Olga Savary
Imagem; Garden-with-Blue-Tulip (Parker)

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Sexta-feira, Novembro 18, 2005

André Rodrigues Corrêa (Da série Parabéns a Você)



Que ao abrir a margarina
encontres a margarida
que a ti foi destinada
pela magia da vida.

E não te esqueças nunca
que por morangos eternos,
açúcar, vinho, cogumelos,
Valle descer aos infernos.

(gláucia retamozo)

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Ó Deus! Como vcs. sao maravilhosos!
Adoro este site, pela leveza do conteúdo, pela sobriedade dos temas, e principalmente pela postura dos comentaristas!
Quero mais fotos da lindinha que aparece no colo do gatão RO.
Bjos.

18/11/05 18:47  
Blogger Gláucia disse...

Que jóia ler isso. Nós ficamos muito felizes que vc esteja gostando. A lindinha é linda mesmo. Também conhecida por Clara Lua, é uma criança capaz de iluminar toda e qualquer escuridão. Quanto ao gatão Rô, sou suspeita...

18/11/05 20:56  
Anonymous Márcia - Feito à mão café disse...

Querida Gláucia: Que trabalho legal! é lindo e profundo.Penso que hoje em dia todos estamos precisando de um pouco de ternura,de palavras amigas e pensamentos que nos façam refletir e ser cada vez melhor! Parabéns pela iniciativa!
Bjos.

21/11/05 15:28  
Blogger Tuca disse...

André... Com o perdão do atraso, aceita o meu abraço de parabéns pelo aniversário. Muitas felicidades! Beijos.

28/11/05 01:58  

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Para Comentar Aqui (Da série utilidade pública)

Tendo em vista que estamos tendo problemas com o Internet Explorer - muitos tem reportado a impossibilidade de comentar neste blog -, bem como a recente descoberta de que os dois sistemas de comentários implantados funcionam perfeitamente com outro browser, o Mozilla Firefox, façam o download clicando no ícone abaixo. Ele não exclui o I.E., é mais rápido, melhor e de fácil instalação.

Get Firefox!

Acabaram as desculpas.
Queremos comentários!!!!!
Hablen con nosotras.

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Assaltando a geladeira (Da série Confesso que Comi)


Acabo de assaltar a geladeira. Um sanduíche de pão normal com 1/2 fatia de queijo, uma fatia inteirinha de chester e uma colher de sopa de molho de tomate. Não satisfeita, ainda comi umas 15 bolachas, daquelas tipo "Maria", mas integrais (contradição dos tempos modernos). Será que uma aula de bike queima? Quantos minutos de corrida? Ai Jisuius!!!!!!! Logo eu, uma pessoa tão controlada...

Imagem: Andrei Gurgel

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Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Por Tanto (Da série Inéditos e Dispersos)


Por tanto que disse e deveria
Por tanto que fiz que fizeste
Por tanto que pensei que sei
Por tanto que deveria e disse
Po tanto que fizeste e fiz
Por tanto que sei e pensei
Nem sei.

(retta)

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Ser Sol (Da Série Inéditos e Dispersos)


Bem sei
ser sol
quando
tudo em mim
anoitece.

(Zhô Bertholini)

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SIGNO (Da série Sagrados e Consagrados)

Fugias de escorpião
lá no quarto-de-guardados
como quem foge do Cão
sem perceber que o trazias
desde o primeiro vagido
oculto em teu coração,
e por onde quer que fosses,
julgando que te guiavas,
era dele a direção,
e tudo que amas, iluso,
de uma ilusória opção,
é ele que te sugere,

te comanda, sorrateiro,
com seu veneno e ferrão,
de tal sorte que, mordido,
e mordente, na aflição,

de nada valeu, confessa,

fugires de escorpião.


(Carlos Drummond de Andrade)

1 Comentários:

Anonymous veterianariacoelho@globomail.com disse...

Gostaria de informar que a poesia Signo é de minha autoria, mesmo estando lisonjeada pela comparação. Peço a gentileza que reiterem a autoria para Luciana Gonçalves Coelho, publicada em 2003, e criada em 1993.

20/10/09 15:57  

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Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Andréa Dória (Da série trilhas sonoras do dia)



Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.

Não queria te ver assim
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.

As vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.

Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.

Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que segui
E com a minha própria lei.

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
Como sei que tens também.

(Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)


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A lua de ontem (Da séria Informes do Tempo)


Ontem Porto Alegre viveu um dia de sol forte e muito calor. E essa a Lua que surgiu, invadindo o rio, quando o sol se pôs. Essa a lua que esteve a iluminar o final do feriado e da Feira do Livro. Toda área da Usina do Gasômetro, do Cais do Porto e da Praça pareciam um imenso formigueiro, gente e gente e gente pra todo o lado. Vozes altas, risadas, cheiro de pipoca, crianças pelas mãos dos pais. Eu estava ali no meio de toda aquela barulhenta alegria, mas também não estava. Trazia um aperto no peito, um choro guardado. De todo modo, foi lindo ver a lua invadir o rio, iluminar o final do dia, o final do feriado, o final da feira, e sabe-se lá quantos outros finais...


Foto dele

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Tu, no meio de tanta alegria, porque estavas triste?
A alegria te faz chorar?
Malva

17/11/05 21:07  
Blogger Maragato Louco disse...

No meio de tanta alegria, a Margarida sente a falta do pólen, que a ensinou a passear pela Feira do Livro. Não é privilégio teu, né, nêga!!!

17/11/05 23:41  

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Terça-feira, Novembro 15, 2005

Izabel Bohngaren Motta (Da série Parabéns a Você)



Para Izabel Bohngaren Motta,
velha amiga, o sincero desejo de
muitas e muitas margaridas
ao longo desta vida.

1 Comentários:

Anonymous Bel disse...

Glaucetinha Querida,

AMEI minhas margaridas!!! Estas irão enfeitar e iluminar toda a minha semana, pois sei que vieram do coração. Como sou desajeitada com plantinhas o fato delas serem virtuais, contribui para sua sobrevivência (esta semana já assassinei - culposamente - um vasinho de funcho, que plantei com carinho, mas pelo visto reguei com fúria!).
Um superbeijo de agradecimento pela lembrança e parabéns pelo blog, que tá muito legal com textos que aquecem a alma.
Valeu!!!
Bel

16/11/05 17:17  

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Sol e Aço ( Da série Sagrados e Consagrados)



"Quando repasso atentamente minha infância, me dou conta que minha memória das palavras começa muito antes da minha memória da carne. Na pessoa comum, imagino, o corpo vem antes da linguagem. No meu caso, antes vieram as palavras; então - pé ante pé, com toda a aparência de extrema relutância, e já vestida de conceitos - veio a carne. Já estava, nem é preciso dizer, estragada pelas palavras.
Primeiro vem o pilar de madeira pura, depois os cupins que o comem. No meu caso, os cupins já estavam lá desde o começo, e o pilar de madeira pura só emergiu mais tarde, já meio carcomido.
O leitor que não me censure por comparar a minha atividade com a do cupim. Em sua essência, qualquer arte que se baseie em palavras faz uso da força que elas têm que carcomer - sua função corrosiva - assim como gravar em metal depende do poder corrosivo do ácido nítrico. Mas o paralelo ainda não está exato o bastante: o cobre e o ácido nítrico usados na gravação estão em acordo entre si, os dois oriundos da natureza.
A relação entre as palavras e a realidade não é a mesma que que existe entre o ácido e a placa de metal. Palavras são um recurso que reduz a realidade a uma abstração que nossa razão posssa aceitar, e em seu poder de corroer a realidade, inevitavelmente insinua-se o perigo de que as próprias palavras também sejam corroídas. Melhor, na realidade, comparar sua ação com o excesso de sucos estomacais que digerem e, pouco a pouco, acabam por carcomer o próprio estômago.
Muitos expressarão sua descrença em que tal processo pudesse já estar em ação nos verdes primeiros anos de uma pessoa. Mas foi isso, sem sombra de dúvida, que me aconteceu, lançando as bases para duas tendências contraditórias que batalham dentro de mim. Uma, a gana de levar em frente, com lealdade, a função corrosiva das palavras, e disso fazer a obra da minha vida. A outra, o desejo de me encontrar com a realidade em algum ponto onde as palavras não tivessem nenhum papel a desempenhar."
Yukio Mishima, Sol e Aço, trad. Paulo Leminski

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Me dá tua mão (Da série Sagrados e Consagrados)


"Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar - a realidade é delicada demais, só a relidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas."
Clarice Lispector, A Paixão Segundo G. H.

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Agora que volto, Ton - Fragmentos (Da Série Canções do Exílio)

"O tempo passou. Começou a passar desde aquele dia em que olhei para as águas esverdeadas do regato, quando papai fechou o cadeado preto e mamãe ficou olhando a casa pelo vidro de trás do carro e eu acenei para todos (...) que estavam na esquina, e fiquei lembrando a cara que vocês fizeram, um pouco de tristeza e rancor, quando naquela manhã (oito e quinze no rádio do carro) partimos definitivamente do bairro e da cidade. Vocês ficariam sempre contra a parede cinzenta da venda do Ulisses (...) daí em diante não teriam outro lugar senão junto a esta parede que ía escurecendo com os anos (...) E os anos vão caindo com todo o seu peso sobre as lembranças, sobre a vida vivida, e o passado começa a se enterrar em algum lugar desconhecido, em uma região do coração e dos sonhos onde permanecerá, talvez intacto, mas coberto pela ferrugem dos dias (...) Tudo isto deve ser tão estranho para você, Ton (...) que me parece vê-lo sentado a cavalo no muro sujo da Avenida, os olhos vagos perdidos entre os galhos vermelhos das amendoeiras (...) Seus olhos sempre assumiram essa vagueza triste e ingénua quando alguma coisa lhe fazia ver que o mundo tinha outras dimensões, que você, dormindo entre sacos de carvão e laranjas podres, nunca conheceria (...) Eu não sei quais seriam seus sonhos, Ton, ou se você não os tinha; eu não sei se as pessoas como você tem sonhos ou se a dura consciência de suas realidades não lhes permite, mas de qualquer modo eu não o deixaria sonhar, tiraria seu sono contando tudo isso para voltar a ser um de vocês de alguma forma, mesmo que fosse apenas por esta tarde (...) O resto não será estranho, Ton. Amanhã é Dia de Finados e eu vim para ficar um pouco junto ao túmulo de meus pais; quis vir hoje porque há muito tempo a ilusão desta volta martelava em minha mente. Pensei em voltar a atravessar as ruas do bairro, entrar nos becos, respirar o perfume das cerejeiras, dos limoeiros, da relva dos solares, ir até aquela janela onde se podia ver o rio e seus barcos; me encontrar com você junto a parede cinza da venda do Ulisses (...) ir com vocês até o coreto do Parque Salvador e buscar no vento da tarde o som uniforme do repique dos escoteiros. Mas talvez deva admitir que já é um pouco tarde, que não poderei voltar sobre meus passos para buscar, quem sabe, uma parte mais pura da vida. Por isso deixei o bairro a um instante, Ton, e vim aqui, a esta mesa e comecei a pedir quase sem querer garrafas de cerveja que estou tomando sem perceber, porque quando vi você entrar com essa manqueira que não me engana e essa velada ingenuidade no olhar (...) me olhando como a um estranho, só tive tempo de entender que você, sim, permaneceu inalterável, Ton; que sua pureza é sempre igual, a mesma daqueles dias, porque só os meninos como você podem verdadeiramente permanecer incorruptíveis mesmo debaixo desse esquecimento, dessa pobreza, dessa amargura que sempre o fez olhar para os galhos vermelhos da amendoeira quando pensava certas coisas. Por isso fui eu quem mudou, Ton, acho que vou embora esta noite e por isso também não sei se lhe digo agora quem sou eu e lhe conto tudo isto, ou simplesmente deixo que termine de lustrar meus sapatos e parto para sempre."
(René del Risco Bermúdez, República Dominicana, 1968, in 16 Contos Latino-Americanos)

2 Comentários:

Blogger Miranda disse...

Djo amo esse conto, vous savez. E, evidentemente, já estou a chorar...

15/11/05 04:17  
Anonymous Tuca disse...

Este conto é o mais lindo do século!!! Merece ser traduzido para todas as línguas e lido por todas as "gentes".......

24/11/05 14:02  

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Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Cheiro a saudade (Da série Sagrados e Consagrados)



perfume sem fim
uma lembrança

a flor de jasmim



(alice ruiz)

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Harriet, lembras do nosso chá de jasmim? Posso agora sentir-lhe o aroma! Saudades d'outrora... Beijo.

28/11/05 02:13  

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Domingo, Novembro 13, 2005

Para ler/ver ao som de Desespero Agradável - Satie (Da série Sagrados e Consagrados)

no coração
uma flor oculta


e a oculta vontade
de revelar a flor

(poema de alexandre brito,
margarida de Andy Warhol)

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Belly and me (Da série 'me segura queu vou dar um troço')


Ontem, no lançamento do Blog de Papel, eu, que representava a turma do Margarida, e Belly.

1 Comentários:

Blogger Belly disse...

é nóis na foto, mana!!!

:D

carón....

(dios mio, que dificuldade para usar o sistema de comments Ramalhete! coisas do Enervation. às vezes ele se faz de difícil comigo.)

16/11/05 18:24  

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Lançamento do Blog de Papel (da série Fora de Série)

Sucesso total no lançamento do Blog de Papel. Faltaram livros para autografar!!!! Isso mesmo. Assim como faltaram cadeiras e não coube todo mundo na sala que havia sido reservada para o Bate-papo com os autores. O evento serviu também como ponto de encontro dos bloggeiros da cidade. Na conversa, Tíccia disse que "o grande barato do blog é ser lida". Afirmando sofrer de "incontinência literária", ressaltou que desde o surgimento dos blogs, no Brasil, houve um salto qualitativo, uma vez que apenas recentemente o meio vem sendo apropriado por escritores e jornalistas, o que, em outros países, ocorre desde muito. Milton Ribeiro e Ane Aguirre contaram um pouco da sua trajetória desde que começaram a "blogar". Já André Dahmer e Wagner (Mr. Manson), frisaram o caráter democrático do meio. Alê Félix, que além de participante da coletânea é editora, falou sobre as dificuldades enfrentadas não apenas para editar, como também para distribuir os livros. Para Armindo Trevisan, mediador do bate-bapo, seja qual for o meio, "quando a gente ordenha a vaquinha da comunicação, sai leite". Para ele, os escritores-bloggeiros seriam "ordenhadores da verdade e da sensibilidade". Se alguém ainda acha que não se faz literatura de qualidade na internet, compre o seu Blog de Papel, ali na Feira do Livro de Porto Alegre. Quem não tem a sorte de morar nessa cidade maravilhosa, pode encomendar diretamente na Editora Gênese (contato@editoragenese.com.br) ou nas livrarias pelo país afora. E boa leitura. Mais fotos do evento em www.megeras.com. Ah, quase ia me esquecendo; o Bate-papo encerrou com a promessa de que a Tíccia vai ajudar o Professor Armindo a construir seu blog. Vamos esperar ansiosos!!!

2 Comentários:

Anonymous Carolina Marques disse...

Que show hein Glaucia!!
Adorei tudo aqui no seu jardim!
Um super beijo, Carol

14/11/05 07:13  
Blogger Gláucia disse...

Que bom q gostaste Carlonina. Vamos esperar sempre pela tua visita. Um beijo.

14/11/05 10:22  

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Alguém me dando a mão (Da série 'me segura queu vou dar um troço')


Relê pela vigésima vez o mesmo trecho da Paixão Segundo G.H. (Clarice Lispector): "(...) Para que eu continue humana meu sacrifício será o de esquecer? (...) Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido. Pior ainda: não quero o que vi. O que vi arrebenta minha vida diária. Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi. Livra-me da minha inútil visão, e de meu pecado inútil. Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão. Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. (...)"
E não consegue aquietar a dor teimosa, insistente; lá está o buraco aberto pela mutilação. Havia arrancado de si seu pedaço mais singelo. Havia arrancado e não conseguia estancar o sangue ou conter a dor. Procurava na memória acontecimento anterior, semelhante, com o qual pudesse ter aprendido. Não encontrava, não aprendera. Perdida, desfeita, relia, perguntando a si mesma "quem vai me dar a mão?"

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Sábado, Novembro 12, 2005

Meu Amigo (da série Inéditos e Dispersos)





velho e moço
pranto e riso
pele e osso
vítrea dor
fruto e flor
amor até o caroço.

(gláucia retamozo)


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Orquídeas ou tulipas? (Da série diálogos inusitados)





Ele: - Não tenho certeza se prefiro as orquídeas ou as tulipas, quando penso em flores que digam algo de mim pra mim.
Ela: - Mas são tão diferentes...
Ele: - Das tulipas me encanta a simplicidade de forma e cor. Das orquídeas a variedade e a relação intrínseca com a umidade. As tulipas são solares, as orquídeas são lunares. Acho que tem a ver comigo porque tenho um pé na luz e outro na escuridão.
Ela: - Ah...
E ela ficou pensando porque diabos ele associava lunar com escuridão. Ela achava que tudo era luz. Brancura. A luz da lua, pensava sempre. Pétalas lunares, lera em algum lugar... Onde estaria, nele, a escuridão? Onde estaria, nele, o jardim lunar?
Ele: - No que estás pensando?
Ela: - Sei lá, me distraí...


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Para a Margarida Inventada (Da série Inéditos e Dispersos)


a margarida in-ventada
ri da amarga vida flor-ida
eu rio para mar quem vem
quem venta essas pétalas-vida
esquadra despetalada
navega, sorrio também

(daniel retamoso palma)

3 Comentários:

Anonymous ro disse...

conheço esse rapaz. gosto dele.

13/11/05 23:18  
Blogger Gláucia disse...

Rô, frô de formosura, conheces minha opinião e sabes q sou suspeita. Mas eu ADORO o q ele escreve.

13/11/05 23:59  
Anonymous DEDÉ disse...

PARA O MEU AMOR, O FILÓSOFO, O P O E T A MAIS SENSÍVEL E ADORÁVEL DESTE MUNDO!! TE AMO!! DEDÉ

27/10/06 01:17  

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Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Ojos (Da Série Sagrados e Consagrados)


"Mi abuela me enseñó a leer.
Mi abuela me enseñó los libros y me traspasó su amor hacia ellos. No tuve elección, fue su herencia. Mi abuela me dijo que con los libros yo nunca estaría sola.
Me enseñó a cuidar de mis ojos adueñándome de ellos como el lugar más preciado, el más nítido. Me explicó que si alguna vez fallasen los oídos, no sería tan grave, poco me perdería, todo lo que valía escuchar se había escrito y lo rescataría con mis ojos.
Me dijo que si alguna vez fallase la voz, no sería el fin. Recibiría el sonido exterior sin devolverlo y nadie lo echaría en falta, menos yo. Estaban las palabras para ser ejecutadas: por mis oídos las que ya estaban concebidas, por mis manos las que quisiera inventar.
Al final, sin mencionar siquiera otras carencias como el olfato o el gusto, mi abuela me dijo que ignorara la sordera y la mudez si llegasen a acometerme, que la unica falta total era la ceguera.
Que cuidara mis ojos. Sólo con ellos podría leer. Sólo ellos me salvarían de la soledad."

(Marcela Serrano in Para que no me olvides)

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Retorno (Da Série Cartas Reenviadas)


Minha irmã,
Desde que parti, trago embaçada a certeza de meu retorno. Ela revela-se límpida hoje. Penso em voltar para ti. Voltar à minha cidade, à minha gente. Rever paisagens, reencontrar pessoas e reviver o contentamento de estar em casa. Já não penso em tempo perdido. A distância, ainda que doída, me fortalecerá. E acredito que ao fim deste meu exílio, terei crescido, estarei madura. Terá, então, valido a pena. Se não tivesse vindo, jamais saberia o que me esperava, e talvez passasse o resto da vida a me questionar se estaria ou não perdendo uma chance de tentar. Agora já sei a resposta... E fecho os olhos, e penso em ti, e imagino Porto Alegre, torta de limão, restaurantes, cafés, lojas, liquidações, cinema, teatro, milongas, Casa de Cultura, Feira do Livro, Brique da Redenção, Rua da Praia, Mercado Público, pôr-do-sol no Guaíba, Gre-Nal, risadas à toa, amigos em comum, confidências, churrasco, chimarrão, família, vizinhos, fim-de-semana na Serra, férias na Fronteira, chuva, frio, verde, cheiro de terra molhada, colo de pai, afago de mãe, carinho de insanas irmãs... Nós duas de novo, nossos filhos crescendo juntos, envelhecer a teu lado...
"E a gente canta, e a gente dança, e a gente não se cansa de ser criança, da gente brincar, da nossa velha infância"

(de Tuca para Gláucia, em abril de 2003)

3 Comentários:

Blogger Maragato Louco disse...

Me proibiram de postar ABBA ou Bee Gees que, segundo meus inimigos, não passam de música sertaneja em "ingrês". Mas acredito que não enfrente maiores resistências quanto ao poema que segue.

Tenho certeza de que retornas, minha insana irmã, assim como tenho certeza de que haverá tempo, muito tempo, para cinema, frio e torta de limão.

Beijoca shaftliana.

"No quiero estar sin ti
Si tu no estas aqui me sobra el aire
No quiero estar asi
Si tu no estas la gente se hace nadie.

Si tu no estas aqui no se
Que diablos hago amandote
Si tu no estas aqui sabras
Que Dios no va a entender por que te vas.

No quiero estar sin ti
Si tu no estas aqui me falta el sueño
No quiero andar asi
Latiendo un corazon de amor sin dueño.

Si tu no estas aqui no se...

Derramare mis sueños si algun dia no te tengo
Lo mas grande se hara lo mas pequeño
Paseare en un cielo sin estrellas esta vez
Tratando de entender quien hizo
Un infierno el paraiso
No te vayas nunca porque

No puedo estar sin ti
Si tu no estas aqui me quema el aire.

Si tu no estas aqui no se...

Si tu no estas aqui."

11/11/05 22:34  
Anonymous Tuca disse...

Amo esta música!!! Letra lindíssima! Canção, igualmente...
Conseguiste me comover, me fazer chorar... Justo eu, uma pessoa tão controlada.
"También no quiero estar sin vosotras..."
Beijos.
Saudades.

11/11/05 23:03  
Anonymous Anônimo disse...

Tuca?!
Tu controlada?!
O liz te modificou muito então!!

19/11/05 19:17  

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É Outono em Lisboa (Da Série Informes do Tempo)


Manhã de sol tímido, frio e folhas secas pelo chão. A paisagem surge castanha e amarelada. Após o café, ela cruza a praça a caminho da estação. E segue a conversar... sozinha - como de costume - com a irmã distante. Fala do tempo, dos livros, das sensações. Conta segredos. Revela seus pensamentos, seus planos, seus anseios. Não! Não é um monólogo. A irmã sempre responde. É outono em Lisboa.

3 Comentários:

Blogger Gláucia disse...

É verão em Porto Alegre. Faz muito calor. A irmã está respondendo. A irmã está chorando. E também vai contando de tudo, à irmã distante...uma dor de saudade no peito, uma falta, uma vazio...É verão em Porto Alegre e faz muito calor. A temperatura deve atingir, hoje, 30 graus.

11/11/05 12:27  
Blogger Maragato Louco disse...

SHAFTLIANA: Primavera, verão, outono ou inverno, o fato é que no jardim das margaridas - ou no pulguedo do Shaft - não há distância que nos separe. Amor.

11/11/05 22:37  
Anonymous Anônimo disse...

Frio em Lisboa, calor em Porto Alegre, ventando em Santa Maria, clima ameno em Curitiba, independente da temperatura, neste interior sempre há ternura de afagos para os pedaços que espalhei no mundo. Colo não ! Quem te oferecia colo farto, beijo de sabedoria ( testa),cumplicidade quando chegavas " meio que meio", hoje é Anjo, que vela e vibra com o sucesso do "margaridasinventadas" e, quem sabe toda essa inspiração não é obra de um Retamozo que vive lá nas distâncias!!!
A matriarca.

19/11/05 16:20  

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Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Só (Da Série Canções do Exílio)


Desde criança nunca fui como outros foram
Nem meus olhos nunca viram o que outros viram,
Já que minhas paixões não tem a mesma origem,
Não vêm da mesma fonte as dores que me afligem.
Também o prazer era de outra natureza -
Tudo que amei ninguém amou, tenho certeza.
Lá - no despontar de um viver atormentado -,
Do âmago do bem e do mal foi arrancado
Esse mistério que ainda me traz prisioneiro:
Da cascata e da torrente - do ocre do outeiro -
Do sol a desfilar sua outonal majestade
E da nuvem que a meus olhos tomou o perfil
De um demônio naquele céu azul anil.

Edgar Allan Poe

(Tradução de João Moura Jr.)

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Os Morangos são eternos (Da série Sagrados e Consagrados)


Bem dentro dos teus olhos
numa galáxia silvestre
o hálito de mel
toca o infinito
Nos mistérios e nos sonhos
Dentro deles a vida
esquece o tempo perdido
que as mãos não espremeram
Quem conhece Deus
sente as coisas internas
e é amigo dos morangos
que nunca morrem

(Henrique do Valle)

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Strawberry fields forever...

Rog
contosasfavas e as difuculdades de comentar

10/11/05 20:17  

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Dançando no deserto (Da Série Sagrados e Consagrados)

Mas de repente voltas
numa dor de esperança sem razão de ser

Da sua indiferença
agressivamente as coisas saem
Sentimo-nos cercados
ameaçados pelas coisas
e agora lamentamos o tempo perdido
a dispô-las a nosso favor

Porque é tempo de romper com tudo isto
é tempo de unir no mesmo gesto
o real e o sonho
é tempo de libertar as imagens as palavras!
das minas do sonho a que descemos
mineiros sonâmbulos da imaginação

É tempo de acordar nas trevas do real
na desolada promessa
do dia verdadeiro

(Alexandre O´Neill)

Graças ao Francisco, poesia com portuguesa, com certeza.
Um muito obrigada coletivo da turma do Margaridas.

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Caio e as Margaridas (Da série 'me segura queu vou dar um troço')


Ele simplesmente postou o texto integral do "Margarida Enlatada" (do Caio, claro). Isso é ou não é pras pessoas (nós) simplesmente entrarem em surto coletivo? Vão e leiam, ou releiam...

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(Da série bem-me-quer, mal-me-quer)














você
que a gente chama
quando gama
quando está com medo
e mágua
quando está com sede
e não tem água
você
só você
que a gente segue
até que acaba
em cheque
ou em chamas
qualquer som
qualquer um
pode ser tua voz
teu zumzumzum
todo susto
sob a forma
de um súbito arbusto
seixo solto
céu revolto
pode ser teu vulto
ou tua volta.

(paulo leminski)

1 Comentários:

Blogger Santos disse...

adorei isto aqui.. muito bom...

10/11/05 14:03  

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Coincidências? (Da série 'me segura queu vou dar um troço')


Ela recebe um e-mail cheio de links. Muitos, muitos links. São links para margaridas. Fotos. Quadros. Estórias de. Propagandas com. Endereços onde. Pasma, responde dizendo apenas "Estou muda."
No dia seguinte, recebe torpedo que havia sido enviado no dia anterior (embora não houvesse chegado), antes do dito emelho linkado, com o seguinte teor: "Estou no jardim, passeando entre tuas flores... É tanta beleza que fico mudo. E fico. E mudo." Esse mutismo simultâneo é o que se chama coincidência?

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Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Passar das Horas (Da série Inéditos e Dispersos)













As esperanças esmagadas
como pó com o passar das horas,
dos dias, das demoras...


Dentro de ti dançam visões estranhas
das manhãs que não vieram,
das noites felizes, mas choras...

(gláucia retamozo)

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Mas se não fosse a esperança, o que nos restaria, não é? Esperança de ver, esperança de conquistar, esperança de ter, esperança de amar, esperança de ficar só. É isso.
MALVA

9/11/05 19:49  
Blogger LeonardoTS disse...

Está bem, é exagero. Mas, lendo teu poema, lembrei-me do que segue:

Primero fue tu voz, nítida, oída
no en sus cuerdas concretas: en la página.
Escrita en tus palabras, una voz
que decía su ser, su verdad, ávida.

Una fiesta innombrable fue luego
la del ser bajo el cielo de la boca.
Y, como un eco, el trazo dibujado
por tu mano precisa, minuciosa.

Andrés Sánchez Robayna

Um abraço.

Leonardo

11/11/05 12:06  

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Lançamento do Livro Blog de Papel (Da série Bilhetes e Lembretes)

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Cantiga e Fim de Caso (Da Série Sagrados e Consagrados)














Nós somos como o perfume
da flor que não tinha vindo:
esperança do silêncio,
quando o mundo está dormindo.

Pareceu que houve o perfume...
E a flor, sem vir, se acabou.
Oh! abelha imaginativa!
o que o desejo inventou...

(Cecília Meireles)

Eu sabia que ele já tinha me feito chorar antes, e não tinha sido apenas no "Paciente Inglês". Foi no "Fim de Caso", o filme da fotinha aí em cima. Quando estiverem precisando chorar, recomendo.

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Sol brilhando (Da série Informes do Tempo)


O sol brilhando através da cortina translúcida. “Bem, ficamos por aqui.” Ela levanta, pega a bolsa, a garrafa d’água, e vai saindo devagar, pisando mansinho, como para não acordar alguém que dormisse. Disca o número de casa. Ouve a voz de casa, a voz que abraça. E chora. Chora dor, saudade, perda. Desliga. Chega até o ponto da lotação tentando disfarçar as lágrimas e o nariz vermelho. E sente muita vontade de estar em casa. Fecha os olhos. O sol brilhando através das pálpebras cerradas.

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Anúncio da Rosa (Da série Sagrados e Consagrados)


Imenso trabalho nos custa a flor.
Por menos de oito contos vendê-la? Nunca.
Primavera não há mais doce, rosa tão meiga
onde abrirá? Não, cavalheiros, sede permeáveis.
Uma só pétala resume auroras e pontilhismos,
sugere estâncias, diz que te amam, beijai a rosa,
ela é sete flores, qual mais fragrante, todas exóticas,
todas históricas, todas catárticas, todas patéticas.

Vede o caule
traço indeciso

Autor da rosa, não me revelo, sou eu, quem sou?
Deus me ajudará, mas ele é neutro, e mesmo duvido
que em outro mundo alguém se curve, filtre a paisagem,
pense uma rosa na pura ausência, no amplo vazio.

Vinde, vinde
olhai o cálice.

Por preço tão vil mas peça, como direi, aurilavrada,
não, é cruel existir em tempo assim filaucioso.
Injusto padecer exílio, pequenas cólicas cotidianas,
oferecer-vos alta mercancia estelar e sofrer vossa irrisão.

Rosa na roda,
rosa na máquina,
apenas rósea.

Selarei, venda murcha, meu comércio incompreendido,
pois jamais virão pedir-me, eu sei, o que de melhor se compôs na noite,
e não há oito contos. Já não vejo amadores de rosa.
Ó fim do parnasiano, começo da era difícil, a burguesia apodrece.

Aproveitem.
A última rosa desfolha-se.

(Carlos Drummond de Andrade)

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Terça-feira, Novembro 08, 2005

Sempre tem café (da Série bem-me-quer, mal-me-quer)



Para CALEXIco e para todos aqueles que souberam da extinção das margaridas, e com ela não se conformaram, aqui sempre tem café.

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Margaridas para Belly (Da série bem-me-quer, mal-me-quer)


Muito feliz de saber que alguém que escreve "O Amor que não diz o nome" passeará por esses jardins, te ofereço, hoje, essas margaridas.
Beijos,
Gláucia

2 Comentários:

Blogger Belly disse...

Venho certo todos os dias passear entre as margaridas.

É aconchegante. Relaxa.

Que coisa mais linda a foto. Esse contraste de pétalas níveas (níveas! níveas marias!) com o céu azul e o miolo amarelo.

Much love, beijos
Belly

9/11/05 17:52  
Blogger Margarida disse...

Aquela pessoa (começa com g) que nem é ansiosa já estava imaginando que não verias.
Que bom que vieste!
bjos,
glau

9/11/05 17:58  

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Todo Cambia (Da série Canções do Exílio)






Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo.

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño.

Cambia, todo cambia...
Cambia, todo cambia...

Cambia el sol en su carrera

Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde la primavera.

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano

Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño.


Pero no cambia mi amor
Por más lejos que me encuentre
Ni el recuerdo, ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente.

Y lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana.

Cambia, todo cambia...
Cambia, todo cambia...


(Julio Naumhauser)


2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Adorei. Amo essa música. Só não entendi a série "Canções do Exílio". Por que exílio? Onde estás?

8/11/05 22:08  
Anonymous Tuca disse...

Oi anônimo. Também acho-a linda!
"Canções do Exílio" por estar postando de fora... Estive em Cabo Verde, hoje estou em Portugal.

9/11/05 01:28  

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Só contigo posso viver inteiramente (Da série Cartas Reenviadas)


De Beetthoven à amada imortal
Bom dia! 7 de julho
Deitado na cama, confundem-se meus pensamentos para ti, minha amada imortal; às vezes alegres, logo tristes, esperando que o destino nos favoreça. Só contigo posso viver inteiramente ou não posso viver. Sim, resolvi vagar pelas distâncias até o momento em que possa voar até teus braços e ter em ti minha pátria para mandar minha alma envolta por ti ao país dos espíritos. Sim, desgraçadamente, assim há de ser... Hás de consolar-te, tanto mais porque conheces minha fidelidade a ti. Jamais outra poderá possuir meu coração, nunca, nunca! Oh!Deus, por que ter de se afastar do que tanto se ama? Minha atual vida em Viena, todavia, é uma existência miserável. Teu amor me converte ao mesmo tempo no homem mais feliz e no mais infeliz. Em minha idade precisaria de certa estabilidade, uma vida equilibrada; esta, porém, pode existir em nossas circunstâncias atuais?
Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias e preciso concluir para que recebas esta o quanto antes. Fica tranqüila! (...) Continua amando-me. Jamais desconheças o coração mais fiel de teu
Amado Ludwig

4 Comentários:

Blogger Lili Cheveux de Feu disse...

E o filme Amada Imortal? Coisa linda.

8/11/05 11:55  
Anonymous Menina-Prodígio disse...

Tão parecido com o que meu lindinho escreve, lá de Belém, pra mim...

Margarida, posso publicar no meu blog? Qual a fonte dessa carta?

O filme amada imortal é sobre Ludwig?

8/11/05 12:24  
Blogger Margarida disse...

O filme Minha Amada Imortal (Immortal Beloved) é sobre o Ludwig sim, menina-prodígio. Ele é de 1994, com a Isabella Rossellini e com o Gary Oldman - olha que tudo. O Beethoven morre, e no meio dos seus papéis é encontrado o testamento, deixando seus pertences para a misteriosa amada imortal... Assim inicia o filme. É claro que podes publicar no teu blog, sem problemas. A fonte da carta é um livro chamado "Cartas do Coração - Uma Antologia do Amor", organizado por Elisabeth Orsini. Eu tenho uma edição de 1999, da Rocco (Rio de Janeiro).
Bjos,
Volte sempre ao nosso jardim.

8/11/05 23:27  
Blogger Margarida disse...

Lili,
Que bom vc de novo aqui!!!!!

8/11/05 23:29  

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Carta Aberta às Megeras Magérrimas (Da série bem-me-quer, mal-me-quer)



Gurias,

Se “A Margarida Inventada” finalmente ganhou existência, foi, em grande parte, pelas mãos de vocês. E por isso eu venho agradecer com meu coração inteiro, pois que não sei fazer de outro modo. Até conhecer a Tíccia, eu tinha uma remota idéia do que era um blog. Recebi a indicação do Megeras da minha amada irmã, Tuca, que morava, então, em Cabo Verde. E fiquei abismada com a qualidade dos textos. Naquela época eu estava voltando a escrever, após um longo período de hibernação, de não-dizeres, de não-escrita; um longo período de experiências emudecedoras e de perdas doloridas. Então tomei coragem e fui procurar a Tíccia. Eu tremia quando mostrei a ela meu primeiro poema. Depois de tudo que havia lido, tanto ela quanto a Rô já eram, pra mim, monstros sagrados. Mas a Tí tem um jeito estranho de acolher a gente com o tom de voz, de fazer carinho com olhos que são ao mesmo tempo prescrutadores e calmantes, de indicar caminhos sem impor qualquer ponto de vista. E fomos tomando cafés. Muitos cafés. E ela foi me ajudando a me ver melhor, a ver melhor minhas doloridas e recentes experiências. Foi me ensinando, como o mestre ensina ao discípulo, sem deixar ver que está ensinando. Certa vez o Hélio Pellegrino, numa entrevista para a Clarice Lispector, disse: “Escrever e criar, para mim, constituem uma experiência radical de nascimento. A gente, no fundo, tem medo de nascer, pois nascer é saber-se vivo e - como tal – exposto à morte.” Com a Tíccia aprendi a encarar esse medo de nascer. Aprendi a ter mais prazer em saber-me viva, exposta à morte. Tempos depois, conheci a Rô, que, todos diziam, era muito parecida comigo. Era mesmo. E estranhei tanta semelhança, no começo. E tive medo de lidar com tanta força – pois somos parecidas, é verdade, mas ela tem muito, muito menos medo da vida e da morte do que eu. Ela desafia os covardes pela sua pura e simples existência. Ela enxerga com olhos de dentro, e não tem receio de se mostrar como é. E enfrentamos, uma escorada na outra, mais de um mês sem a Ti. E nós três, juntas, numa intensidade e numa voltagem altíssima, nos fizemos amigas e passamos a partilhar a vida. E elas me emprestaram muita, muita da sua coragem. E quando a Tíccia, no último dia 31 de outubr, escreveu a Carta para Glau – a Ressurreição das Margaridas – , me senti tão comovida, tão feliz, tão gratificada...porque ela conseguiu ressuscitar margaridas com as quais eu a havia presenteado, em agradecimento às margaridas virtuais que ela me dera. Por que ela sabe, como os que freqüentarem esse jardim saberão, em breve, sobre a mágica presença das margaridas, na minha vida, no exato momento em que eu decidi que o meu destino é essa radical experiência de nascimento e morte: a escrita. E por isso eu venho agradecer para a Tíccia e para a Rô, as Megeras Magérrimas, com meu coração inteiro, pois que não sei fazer de outro modo. Eu amo vocês.
Gláucia

6 Comentários:

Blogger Ticcia disse...

Ai, Glau, o que dizer depois de tudo isso, dessa tua delicadeza, da tua força? Que eu te ganhei de presente, tu e as tuas margaridas. Que ganhei de presente a Clara e o amor dela pela mãe lua. Que ganhei de presente o Umberto e o olhar dele para a Clara estrela. Que ganhei de presente a pequena grande Tuca, o Lisandro e a coragem daquela dupla incrível. Que ganhei de presente as histórias do Coronel. Que ganhei de presente a tua gargalhada e os teus escritos, os cafés, a tua maternidade, a vontade de sobreviver. E ganhei de presente este olhar lindo que vê uma de mim que eu gosto tanto. E o que é amar uma pessoa senão ser com ela muito melhor do que pensávamos poder? Obrigada pela carta, pelas margaridas, por tudo isso que sabes. Beijos.

8/11/05 08:49  
Anonymous Ro disse...

Sei...

8/11/05 11:24  
Blogger Belly disse...

pode contar comigo para cadeira cativa na Casa das Margaridas!

Sobre a delicadeza: gata, a gente acaba sempre tendo o que merece. vc não acha? ;)

(postado no seu comentário no MH)

8/11/05 14:32  
Blogger Janaina Staciarini disse...

Ai, Glaucia, que coisa mais linda...

8/11/05 20:52  
Anonymous Anônimo disse...

Elas não merecem tudo isso...
Vichy

8/11/05 21:44  
Blogger Gláucia disse...

Belly, cadeira cativa é tudo que já tens onde quer q eu esteja.
Janaína,
q bom vc de novo!!
Anônimo, vc q acha q elas não merecem tudo isso certamente não as conhece. Elas merecem mais, muito mais. Eu é q só consigo dizer isso.
Bjos pra todos vcês.

8/11/05 23:49  

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Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Durar (da Série Inéditos e Dispersos)


Esse tal de futuro
vai me fazer esperar
para provar que no duro
o bom mesmo é durar

(retta)

4 Comentários:

Blogger Belly disse...

OII!
vim cheirar as margaridas e, oh, isso aqui tá bom demais!

beijos, sucesso! (que linda casinha cor-de-rosa)

7/11/05 16:13  
Blogger CALEXIco. disse...

...tambem adorei! Preparem o cefezinho, por q eu vou visitar vcs com frequencia! ;-)

7/11/05 17:25  
Anonymous ro disse...

se até o meu amor já está aqui, é por que a coisa vai ser feia...

7/11/05 17:32  
Blogger Gláucia disse...

Ai, ai, ai, ficamos com egão discontrol de saber que vocês três vieram aqui. Belly, Calexico e Rô. Como diria o Waly Sailormoon, ME SEGURA QUE EU VOU DAR UM TROÇO.

8/11/05 01:17  

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10k sob chuva (Da série Informes do Tempo)


Chuva insistente. Dia cinza. Os planos eram corrida ao sol com amigos, almoço com vinhozinho, soninho com a filha fofa... Mas a chuva não quis. A corrida em grupo se foi. O almoço improvisado em casa até que rendeu. Mas depois que minha linda dormiu foi batendo aquela depressão-domingo-silêncio-dia-cinza-incomunicabilidade. Angoisse. Aí fui correr na chuva mesmo. Peguei um boné pra enxergar um palmo a frente, e saí porta afora. Bem louca e bem linda. Acho que fiz uns 10k. E, surpresa! Eu não era a única. Encontrei mais dois correndo pra valer. Como é bom ser louca acompanhada...E o melhor de tudo é que, se avistando de longe, a gente já começa a sorrir uns pros outros. Solidariedade do vício. E a previsão do tempo para Porto Alegre é de chuva...

2 Comentários:

Blogger Lili Cheveux de Feu disse...

Putz. E eu achando que moro no litoral vim com regata. Só dá pra ver o farol aceso. Frio dos infernos.

7/11/05 08:51  
Anonymous ro disse...

tu tá loka! a previsão é sol raiando ho horizonte, criatura atoa.

7/11/05 17:35  

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Domingo, Novembro 06, 2005

O Jardineiro Fiel II (Da série descolar cinema)


Justin, um homem para amar
O filme de Fernando Meirelles é, como já foi dito e repetido por muitos, bonito, inventivo, delicado, sensível e comovente. Mas desde que o revi não consigo parar de pensar em Justin. Em Justin e nas suas flores, na sua polidez protetora, na alvura de suas mãos. Em Justin dizendo"Você é assustadora". Em Justin ouvindo "Eu te amo do jeito que você é". Em Justin estranhando ser amado do jeito que é, desconfiando dessa possibilidade, se refugiando nas sementes de narciso. Em Justin não querendo descobrir nenhuma verdade que o pudesse magoar, escondido no jardim. Nesse mesmo Justin que, uma vez arrancado dos seus medos pela perda e pela dor, percebe que perdera a mulher que o amara e a quem amara. E que, nesse momento, tem coragem de buscar a si mesmo. E, buscando a si, descobre Tessa e a grandeza de um amor cuja existência não suporia. Um amor do qual não se julgava merecedor. Tessa é a heroína evidente do filme. Coragem do início ao fim. Mas para descobrir o heroismo de Justin é preciso olhar e enxergar (como diria Roberta). Talvez, primeiro, a nós mesmos. Enxergar as inúmeras vezes em que nos escondemos no jardim, plantando narcisos. Em que, não querendo descobrir verdades doloridas e/ou tomar decisões, deixamos que as coisas aconteçam e que a vida decida por nós. Justin não deixa. Ele decide, e é fiel a si mesmo até o fim. Por isso, a fidelidade de Justin está para muito além do jardim.
(Gláucia Retamozo)

4 Comentários:

Blogger Rosinha Monkees disse...

Gláucia, vim pra cá por indicação da Ticcia e agradeço... vi o filme "O Jardineiro Fiel" no sábado e não entendi naaadaaa... mas agora, depois da sua explicação, entendi tuuuudddooo! Obrigada por fazer valer o ingresso!

7/11/05 09:42  
Anonymous Anônimo disse...

Glau, "fidelidade do jardineiro?"
Onde está a fidelidade de um homem que não enxerga a força e a grandeza da sua mulher, trocando-a por um jardim? E pior. Fica do seu lado somente após sua morte. Homens passivos não queremos mais.
MAS AAAADDDOOOOOREEEEIIII O BLOG. Beijos.
MALVADEZA.

7/11/05 15:09  
Anonymous ro disse...

eu vejo e tu vês. as vezes juntas, noutras isoladas, noutras marcadas e noutras, ainda, iludidas. mas a gente caminha para além dos olhos moucos e isso é o que conta. que se afogem os mudos!

7/11/05 17:40  
Blogger Maragato Louco disse...

Ai, Glau, o Justin é um sem-vergonha, branquinho, medroso, só se transforma em um homem para amar depois que a Tessa morre. Mesmo assim, o filme é um achado, até porque no jardim tinha margaridas, não tinha?

9/11/05 22:32  

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Para o Ausente (Da série Inéditos e Dispersos)


Talvez não devesse escrever.
A dor tem me ensinado que as palavras matam o instante vivo,
golpeando a carne sem piedade.
Mas, enfim, choro sozinha,
e não sei fazer outra coisa que não seja tentar dizer.
Dizer que muitas vezes quis colo e não pensei em nenhum outro a não ser o teu.
Dizer que talvez tenhas ido embora sem ter a exata dimensão do que fizeste por mim.
Dizer que minha solidão diminui quando te imagino de algum modo presente.
Dizer que me proteges, com o carinho dos teus olhos, que trago sempre comigo.
Dizer que tinha o ouro do mundo quando teu sorriso se abria para mim.
Dizer que quando te despedias e me abanavas e eu sabia que logo te encontraria de novo me sentia segura.
Dizer que enxergava cada nuvem que encobria o brilho dos teus olhos.
Dizer que teus silêncios, tua tristeza e tua melancolia nunca me passaram despercebidos.
Dizer que morro um pouco a cada dia desde que te foste.
Dizer que não queria dizer tanto.
Dizer que trocaria todas, todas as palavras
por um gesto mudo,
por um gesto único,
pelo teu beijo em minha testa.

(Gláucia Retamozo)

9 Comentários:

Anonymous Tuca disse...

Amei!!!!!!!!!!
Sinto o mesmo... Sem saber dizer.
O blog está lindo!

6/11/05 12:11  
Blogger Ticcia disse...

Minha querida, que o teu jardim seja florido sempre e sei que será porque as margaridas inventadas são as mais reais, porque tu tens o dom de florir, porque a chuva vem sempre e o sol também chega nas mãos e nos olhos de gente como tu. Bem vinda a esse mundo de olhos que espreitam além da tela, além do papel. Que a tua estada seja longa porque fico mais feliz de passear por jardins inventados por ti. Beijos.

6/11/05 14:14  
Anonymous Gláucia disse...

Tuquinha,
A falta que me fazes é uma das razões pelas quais preciso escrever. E espero que esta seja também, a partir de agora, nossa casinha virtual. Vou te esperar sempre com um chimarrão.
Beijos,
da Mana que te adora

6/11/05 16:55  
Anonymous Gláucia disse...

Ticcinha,
Eu não poderia me sentir mais bem vinda do que com tuas palavras. Aliás, elas sempre me comovem e movem para além de onde eu imaginava que poderia ir. Estou certa de que o futuro nos reserva muitas margaridas, dias brancos e vidas inventadas. Enfim, amor que vive de palavras, palavras que dizem o amor.

6/11/05 17:01  
Blogger Lutti disse...

Que texto lindo. Também estou aprendendo a lidar com o ausente. E com o virtualmente presente. Também preciso reinventar meu jardim. Bem vinda, e que nossas flores inventadas também sejam reais e tenham perfume.

6/11/05 19:48  
Anonymous Gláucia disse...

lutti,
fico imensamente feliz q tenhas gostado do texto. E espero, de verdade, que na reinvenção do teu jardim voltes aqui, a visitar minhas margaridas. Quanto ao perfume...bem, estou certa de que nossas flores o tem.

6/11/05 22:59  
Blogger Janaina Staciarini disse...

Glaucia, tuas margaridas têm um cheiro muito, muito especial... Boa sorte aqui e na vida. Um beijo.

6/11/05 23:09  
Blogger Gláucia disse...

Obrigada, Janaína. Que bom saber que alguém já sente o cheiro das margaridas.
Um beijo pra ti tbém.

7/11/05 00:16  
Anonymous DANIELA LEMOS disse...

GLAU

ACHEI TÃO LINDO E PERFUMADO ESTE TEU JARDIM QUE ME CALOU E ME INTERROMPEU QUALQUER MENÇÃO DE POSSÍVEL ESCRITA, ALÉM DISTO, ME DEIXOU TÃO ENVERGONHADA QUE NÃO CONSIGO DIZER MAIS NADA ALÉM DE UM SIMPLES: MARAVILHOSO.
SABES QUE A ESCRITA NÃO É MEU FORTE POR ISSO NÃO PODEREI SE QUER CHEGAR AOS PÉS DAS MENSAGENS DAS GRANDES ESCRITORAS QUE JÁ PASSARAM POR ESTE BLOG.
TENHO PRA TE DIZER QUE O QUE TU ESCREVES E O QUE TU ME FALAS REPERCUTEM DE UMA MANEIRA DENTRO DE MIM QUE AINDA NÃO SEI BEM COMO EXPLICAR.
QUERO QUE SAIBAS QUE 2005 ESTÁ SENDO MUITO DIFICIL PRA MIM, DE MUITOS ACONTECIMENTOS MEDONHOS, MAS QUE, TER CONHECIDO VOCÊ ESTÁ FAZENDO ESTA TORMENTA SE TORNAR MUITO MAIS LEVE.
BEIJOS DA AMIGA DE HOJE E SEMPRE.
DANI

8/11/05 15:11  

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Esquece-te de mim (Da série Sagrados e Consagrados)


Esquece-te de mim, Amor,
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa.
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez
termos chegado.

(António Mega Ferreira)

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Sábado, Novembro 05, 2005

Sigamos (Da série Sagrados e Consagrados)

Altazor - Fragmento do Canto I

(...)
Sigamos cultivando en el cerebro las tierras del error
Sigamos cultivando las tierras veraces en el pecho
Sigamos
Siempre igual como ayer mañana y luego y después
No
No puede ser. Cambiemos nuestra suerte
Quememos nuestra carne en los ojos del alba
Bebamos la tímida lucidez de la muerte
La lucidez polar de la muerte.
Canta el caos al caos que tiene pecho de hombre
Llora de eco en eco por todo el universo
Rodando com sus mitos entre alucinaciones
Angustia de vacío em alta fiebre
Amarga conciencia del vano sacrificio
De la experiencia inútil del fracasso celeste
Del ensayo perdido
Y aún después que el hombre haya desaparecido
Que hasta su recuerdo se queme en la hoguera del tiempo
Quedara un gusto a dolor en la atmósfera terrestre
Tantos siglos respirada por miserables pechos plañideros
Quedará en el espacio la sombra siniestra
De una lágrima inmensa
Y una voz perdida aullando desolada
Nada nada nada
No
No puede ser
Consumamos el placer
Agotemos la vida en la vida
Muera la muerte infiltrada de rapsodias langurosas
Infiltrada de pianos tenues y banderas cambiantes como crisálidas
Las rocas de la muerte se quejan al borde del mundo
El viento arrasta sus florescencias amargas
Y el desconsuelo de las primaveras que no pueden nacer.
Todas son trampas
trampas del espíritu
Transfusiones eléctricas de sueño y realidad
Oscuras lucideces de esta larga desesperación
petrificada en soledad
Vivir vivir en las tinieblas
Entre cadenas de de anhelos tiránicos collares gemidos
Y un eterno viajar en los adentros de sí mismo.
Con dolor de límites constantes y vergüenza de ángel estropeado
Burla de un dios nocturno.
Rodar rodar rotas las antenas em medio del espacio
Entre mares alados y auroras estancadas.
(...)
Vicente Huidobro

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O Jardineiro Fiel (Da série descolar cinema)


Acabei de rever. E é simplesmente imperdível.
"Eu sei de todos os seus segredos Tessa. Acho que entendo você agora."
Justin

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Plutão dos não-dizeres (Da série diálogos inusitados)


Ela: - Não, nada de Vênus. Era Júpiter. O meu planeta.
Ele: - Meu planeta, como assim?
Ela: - Regente do meu signo.
Ele: - E qual é o regente do meu signo?
Ela, depois de uma pausa rápida: - Não sei, não lembro.
Ele: - Ah...
E ela ficou pensando por qual razão, afinal de contas, não havia simplesmente dito "É Plutão". O regente de Escorpião é Plutão. Talvez tenha sentido medo de dizer "é Plutão, que rege sexo, vida e morte; as grandes transformações interiores do homem; aquelas que só se dão a custa de muita procura e de muita dor; da grande iniciação no conhecimento de si mesmo, para a qual é necessário ter coragem." E então lembrou que tinha de ir embora.
Ela: - Eu preciso ir. Já está tarde.
Precisava mesmo. E foi. Foi pensando em Plutão... que representa "os infernos", disseram-lhe certa vez. O invisível e o misterioso. A capacidade de "matar" para criar algo mais belo. Semente, germinar, terra, engendrar beleza. Pra tudo, coragem...

2 Comentários:

Blogger ISA disse...

Sou escorpião e sou assim mesmo. parabéns pelo blog! Bwijos

6/11/05 18:39  
Blogger Harriet disse...

Isa, fico feliz de ter acertado. Que bom que gostaste do blog. Apareça sempre.

6/11/05 23:02  

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Soneto de Véspera (Da série Sagrados ou Consagrados)


Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

(Vinicius de Moraes, 1939)

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O Amor Vive de Palavras... (Da série Cartas Reenviadas)



"Rainer, tu peux dire oui à tout ce que je veux - ce ne sera jamais bien grave. Rainer, quand je te dis: je suis ta Russie, je te dis seulement (une fois de plus) que je t'aime. L'amour vit d'exceptions, d'isolations, d'exclusions. L'amour vit des mots et meurt de faits. Je suis trop intelligente pour vouloir vraiment être pour toi toute la Russie! Façon de parler. Façon d'aimer."
(De Marina Tsvétaïeva para Rainer Maria Rilke, em 22/08/1926)

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