terça-feira, janeiro 31, 2006

Vaso na Janela (Da Série Hai-Kai)


Vaso na janela
Lá fora silêncio
Cá dentro espera


Imagem: Rui Gouveia

5 Comentários:

Anonymous Niña disse...

Me traduziste, Tuquinha.

Beijos. Adorei!

31/1/06 13:12  
Blogger Tuca disse...

Obrigada, Niña, fico feliz que gostaste. Beijo.

31/1/06 18:24  
Anonymous adelaide disse...

Meu Deus...Tudo a ver comigo. amei menina

31/1/06 20:07  
Blogger Gláucia disse...

Eu tbém adorei esse.Bjos

1/2/06 02:22  
Blogger Lili Cheveux de Feu disse...

Quem espera, tanto bate até que fura...

Linda imagem.

1/2/06 11:56  

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segunda-feira, janeiro 30, 2006

Muito calor (Da série Informes do Tempo)

Enquanto neva em Lisboa, aqui em Porto Alegre a sensação térmica é de 40º. Imagens que tremelicam, distorcidas pelo excesso de luz e de calor. E uma tristezinha molenga se abateu sobre mim com a partida da. Depois fui lá ver Dôda, a gata. Ela também estava triste com a partida da dona. Acabei revivendo outras despedidas.
Um dos meus interlocutores do dia me fez uma pergunta que, aliás, nem pergunta era: "tu já reparaste que quando se trata de universidade a tua cabeça continua na filosofia?" Não, eu não tinha reparado, professor. Quer dizer, eu percebo que penso de certo modo todo e qualquer problema teórico que se apresente, mas não tinha reparado que esse modo de pensar denuncia que minha cabeça nunca saiu da filosofia... Vejam bem...
Num almocinho tão vegetariano quanto produtivo, conversei com um cara muiiiito, mas muiiiiito bacana sobre a dissertação. Meu tema é bem próximo do tema do doutorado dele. As abordagens são bem diferentes. E, coisas da vida, temos vícios muito parecidos: corrida - inclusive já tivemos o mesmo treinador, comida - almoçamos quase todos os dias no Ocidente e por aí afora. O mesmo interesse certamente não é coincidência. O encontrinho foi patrocinado, é claro, por Dona Emília, fada madrinha e orientadora espiritual by Organizações Tabajara.
NIÑA: APAREÇA JÁ NO MAIL.
Agora é oficial: amanhã estou de dieta. Rigorosa. Antes que eu vire uma baleia. Acho que engordei 1k na última semana.
A previsão do tempo é calor aumentando e aumentando e aumentando. Haja ar condicionado.

Imagem: Salete Retamoso Palma (óleo sobre papelão)

11 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Glau, a neve aqui só durou um dia. Foi apenas uma massa de ar polar que passou rapidamente. Neve em Lisboa é mesmo um evento muito raro, a última antes de domingo havia sido em 1952. O frio continua, mas já temos sol.
A Ticcia já chegou, deixando-me bem feliz, dando-me a segurança de que tem uma procuração tua para me ouvir e me acarinhar. Recebi as encomendas que mandaste. Adorei tudo, cada peça, as antigas e as novas. Principalmente os "mimos" de erva doce. Obrigada. Te amo. Beijos.
Ah, deixa de ser louca, se fazes dieta, vais minguar... Deixa para pensar em dieta depois de voltares das férias que passarás aqui comigo em abril.

31/1/06 08:14  
Anonymous Thiago disse...

Gláucia, obrigado sempre pelo seu carinho. Eu deletei o meu blog, mas espero voltar rápidinho. Assim que acontecer eu venho te convidar para conhecer a casa nova.

31/1/06 11:49  
Anonymous Leticia disse...

Tuca, há muito frequento este blog e já sou completamente apaixonada pelo que a Gláucia e vocês escrevem. Ela já sabe disso... Queria um favor! Meu pai chegou em Lisboa hoje e fica até sábado. Me conta o que é imperdível aí para que eu possa mandar para ele.
Muito Obrigada!
Beijos,
Leticia

31/1/06 15:18  
Blogger Tuca disse...

Letícia, há tantas coisas boas, bonitas e imperdíveis em Lisboa... Dentre as quais eu destacaria uma visita ao Castelo de São Jorge, à Torre de Belém, ao Mosteiro dos Jerónimos, ao Padrão de Descobrimento e Docas de Alcântara. Uma volta pela Av. da Liberdade, pela Baixa Lisboeta (sem deixar de provar as castanhas assadas que vendem na rua nesta época do ano), Chiado, Rossio, Praça da Figueira, e caminhar pela Rua Augusta até a Praça do Comércio. Uma noite no Bairro Alto, típica boemia, restaurantes tradicionais e casas de fado. Há também muitos museus legais, Casa Fernando Pessoa, Museu da Cidade, Museu de Arte Popular, Museu do Palácio Nacional da Ajuda, Museu Nacional do Azulejo, Museu do Livro, Museu de Coches... Planetário Calouste Gulbenkian e Oceanário de Lisboa. Um passeio no Parque das Nações às margens do Tejo. Não esquecer de comer bacalhau às natas, cherne grelhado, arroz de polvo e, óbvio, pastéis de nata! Os queijos e vinhos portugueses também são deliciosos... Boa estadia para teu pai em terras de Camões.

PS: Pode ser que tenha me faltado alguma dica, que pode ser obtida em qualquer quiosque de informação turística na cidade.

31/1/06 18:21  
Anonymous José Carlos disse...

Elogiei cedo demais...

31/1/06 19:58  
Blogger Gláucia disse...

Tuquinha,
esse quilo a mais se alojou nestas últimas semanas de angústia dissertativa...Preciso me livrar dele antes que se multiplique.
Thiago,
Vou esperar o convite pra casa nova, então. Enquanto isso, nos encontramos por aqui pelos jardins mesmo. Bjos
Letícia, que jóia que teu pai está lá. Que aproveite a viagem. Bjos pra ti tbém.
Zé, querido,
eu tô me esforçando. Verás. Até de direito estou conseguindo falar. Bjim.

1/2/06 02:28  
Blogger Lo disse...

Oi, Gláucia
Só entrei pra dar um alô, pra dizer que fiquei surpresa ao achar teu blog por acaso. Não sei se tu lembra de mim, fizemos aula de pilates juntas umas vezes. Eu, a pisciana (é q vc citava que piscianos estavam entrando na sua vida e tal, sei lá). Se não lembrar, tudo bem! Legal te achar.

2/2/06 00:00  
Blogger Gláucia disse...

Claro que me lembro. E o melhor tu não sabes. Depois entraram muitos outros piscianos na minha vida. Vários. É uma invasão incrível. Mas estou começando a entender. Beijos. Vou visitar teu blog. Ainda estás fazendo pilates? Não te vi mais.

2/2/06 00:42  
Blogger Lo disse...

Tá começando a entender piscianos? Ah, então me explica! hehehe
Vou passear por aqui mais vezes. bjs

2/2/06 08:55  
Anonymous Leticia disse...

Tuca, muito obrigada. Passei tudo para ele. Hoje ele vai em Fátima, amanhã no Porto. Acho que alugou um carro.

2/2/06 11:04  
Blogger Gláucia disse...

Não lo, tô começando a entender porque tantos entraram de repente na minha vida. Essa invasão em bando de piscianos, de um tempo pra cá. É isso q estou entendendo. Se entendesse vocês ia me achar. Eita gente doida!

2/2/06 17:10  

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domingo, janeiro 29, 2006

Neve em Lisboa (Da Série Informes do Tempo)


"Um fim-de-semana gélido, devido à chegada de uma frente fria, temperaturas negativas, rajadas de vento, chuva e possibilidade de neve em alguns pontos do país". É o que os noticiários anunciam há alguns dias. Como sempre ouvi dizer que não nevava em Lisboa, não esperava que o gelo chegasse até aqui, que se quedase pelo norte ou pela serra.
Hoje, ao abrir a janela, surpresa... Flocos de neve caindo do céu num bailado sinfónico, a forrar a paisagem de branco, a transformar as ruas numa alfombra alva.
Saímos, bem agasalhados - várias camadas de roupas, gorros, luvas - para almoçar numa Taberna Española cerca de casa. No caminho, os flocos de gelo íam pontilhando de branco nossos casacos pretos. Lindo! Adoramos nossa primeira neve...

Imagem: Dani

4 Comentários:

Blogger papalagui disse...

É inacreditável!!!!!! Aqui em Mafra, bem pertinho de Lisboa, nevou. Nunca em meus dias me lembro de tal coisa, nem existe memória de uma coisa assim...

29/1/06 17:56  
Blogger papalagui disse...

Resta acrescentar que esta foi também a minha primeiríssima neve aqui.

29/1/06 18:02  
Blogger Gláucia disse...

Que máximo. A Tuca deve se considerar uma felizarda, então, por ter sido agraciada com esse espetáculo.

29/1/06 18:11  
Blogger Tuca disse...

Foi mesmo um espectáculo!
Muito bonito...

29/1/06 18:25  

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sábado, janeiro 28, 2006

Cartas do Atlântico, etc (Da série Imorais e Surreais)


Quando eles anunciaram, eu pensei, tro-lo-ló. Óbvio que não vão fazer. Imagina, enquanto um corre, o outro voa. Não terão tempo (pensava então). Mal sabia do que seriam capazes as criaturas. Lá está: Cartas do Atlântico. Eles fizeram. E eu estou aqui quebrando cabeça pra saber qual é a minha categoria: vegetarianas simplórias ou esquerdistas fanáticas. Sim, senhoras e senhores. Eu estava na tal mesa no Bistrot do Margs.
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Terça-feira vou correr uma Meia-Maratona de Revezamento. Sai ali da Usina do Gasômetro (Porto Alegre). Me encontro bem feliz da vida com isso, pois estou já há algum sem participar de uma corridinha assim, digamos, 'oficial'.
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Estou me sentindo um elefante peregrinante, a prôpo. O último dia em que consegui dar uma corrida foi domingo. Fiz uns 12k, num ritmo muiiiiiiiito lento. Hoje já é sexta. Se eu não conseguir correr amanhã, enlouqueço.
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Hoje saí em férias desoficialmente. Oficialmente havia saído na quarta-feira. Deveria estar feliz. Mas eu sai do prédio onde trabalho com uma sensação muito estranha. Fiquei me sentindo o Morgan Freeman em The Shawshank Redemption (Um sonho de liberdade(?)). Serei eu um ser institucionalizado? Serei?
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Acho que um dos 'pobrêma' é que agora essa dissertação vai ter que render (pressão total galera, pressão). E mais: eu tava errada. O buraco é mais embaixo. Ou melhor: mais em cima. Essa não é a única má notícia: minha analista também saiu em férias (por um mês, môdeus). E a Tíccia também está saindo em férias. Espero que o meu cérebro não saia em férias. Nem meu orientador. Nem pelo menos um ou dois amigos que falem a minha fala. Maria Emília, tu nem pensa em férias até 31 de março. Não te faz de lôka.
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Tô ouvindo HERMANOS, "Último Romance", enquanto escrevo esse post. Djo LOS amo. Agora "De onde vem a calma".
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Hoje um colega me perguntou se acredito em Deus. Me lembrei do Proslogium, de Santo Anselmo, da prova da existência de Deus. Me deu uma nostalgia do cão...
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Voltando ao Cartas do Atlântico: o jantar no Pátio estava ótimo. E teve tudo: charutos, família, devassidão e metafísica. Bom começo. Agora tô ouvindo (por ELES, claro), "Uma brasileira". Tudo.

Imagem: Cláudio Muller, com exclusividada para A Margarida Inventada

2 Comentários:

Anonymous adelaide disse...

quem é Claudio Muller

31/1/06 20:09  
Blogger Gláucia disse...

É um fotógrafo espetácular que, vez em quando, tem a bondade de nos enviar algumas fotos de seu arquivo pessoal para postarmos aqui. é ou não é muita gentileza? Por isso q eu sempre digo: o melhor desse blog são os frequentadores...

1/2/06 02:31  

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sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mora em Mim (Da série Sagrados e Consagrados)

Hoje o Cássio Junqueira mandou um e-mail com esse poema lindo pra gente, comentando que tinha ficado feliz com a publicação anterior de outro poema aqui (aquele que dedicamos à Paulinha, Megera-irmã, pelo seu casamento). Esse aí está no último livro dele. E, vejam bem, o livro está na minha cabeceira, emprestado por uma amiga comum, mulé fina e de indiscutível bom gosto. É verdade que mal consigo tocá-lo agora, porque ler um poema, nesta altura do campeonato, é quase contrabando. Mas ele está ali, e como sou criminosa incorrigível... O fato é que é muito legal olhar a caixa de e-mail e dar de cara com o nome de um poeta que a gente admira. De quem a gente só conhece a poesia e a aura. Tá aí, todinho pra vocês:


mora em mim

o que eu sinto quando te vejo,
quando te olho,
olho a tua beleza,
só a tua beleza...
eu te desejo...
eu te desejo sempre mais.
eu ainda não te conheço
e já não te esqueço,
já festejo a tua chegada.
ilumino o meu ser
para que seja o teu cais.
torno-me confortável,
para ser a tua morada...
há sol, há flores,
há lua e estrelas,
há orvalhos em mim.
faz de mim o teu novo endereço,
a tua casa...
mora em mim.

(cássio junqueira)

Imagem: Majestic Poppy, by Ywing Ming Jyang

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quinta-feira, janeiro 26, 2006

Um homem com uma margarida no peito (Da série "Vejo Flores em Você")


Era uma vez um menino só. E de tanto ser só e sozinho cuidar de si mesmo, o menino foi deixando prematuramente de ser menino. E mesmo com rosto de menino, jeito de menino, tamanho de menino, por dentro já era crescido. E ganhou o mundo. No dia em que partiu, deixou atrás do portão um pedaço de si e as lágrimas da mãe. E no mundo, apesar de menino, fez casa, ganhou a vida... Apenas seu olhos e seu coração denunciavam a anomalia, que, diga-se, foi corrigida pelo passar dos anos, eis que o menino foi ficando crescido também em pernas, braços, rosto e omissões. E tudo a seguir seu rumo, parecendo apontar pra frente. Foi então que um dia, homem feito, remexendo uma gaveta de guardados, encontrou o retrato do menino só. E teve saudades da infância que inventara: mais sol, menos solidão. Sem saber muito bem a razão, surpreedeu a si mesmo parado em frente ao velho portão. E avistou, de longe, um menino a brincar no jardim. E o menino criara um rebanho inteiro de vaquinhas de paus de fósforo, e falava sozinho em vozes várias, fingindo ser menos só. Recuou diante da cena e tomou o caminho de volta. E só voltando pra casa compreendeu que aquele pedaço deixado pra trás, não o reaveria, que aquela falta que levara consigo era definitiva. E era preciso viver com ela. Ao aceitar a falta e a verdade do que ficara atrás do portão, desfez-se o nó e lágrimas grossas escorreram-lhe dos olhos. Percebeu, então, que no seu peito havia nascido uma margarida. Talvez as lágrimas a tivessem regado...vai saber. Daquele momento em diante precisou aceitar algumas limitações no vestir, ao frequentar certos lugares onde as pessoas não conseguiam compreender que houvesse nascido uma margarida no peito de um homem. Em compensação, encontrou várias pessoas que guardavam flores escondidas sob as vestes. Flores que só haviam nascido porque o reconhecimento de um vazio, de uma falta, abrira espaço pra elas...

(Este texto vai dedicado a todos os meninos e meninas que tiveram coragem de voltar ao portão, e seguiram em frente, mesmo que não lhes tenha nascido uma flor ao peito...ainda)


Imagem: João Castela Cravo

9 Comentários:

Blogger CALEXIco. disse...

Sinceridade, Glau?

Tu me dás medo!

Porque no meu peito já se criam margaridas há anos, graças a Deus, que Ele as pôs lá.

Tu és louca, mulher! Estes segredos a gente nao escreve assim deste jeito...

Isso não se faz.

Te beijo

26/1/06 06:03  
Blogger papalagui disse...

Gláucia, vai ao meu blogue ;-)

26/1/06 07:47  
Blogger Gláucia disse...

Alex, querido, eu já sabia que trazias margaridas no peito. Só um homem com margaridas no peito poderia me alcançar a mão através do oceano, me fazer rodopiar sozinha pela sala depois de ler um pqne (post que não esperava), e me fazer dormir a milhas de distância. Tenha medo não. Eu sei que tu preferes as loucas (de tão sinceras). Bjos

Papa, acabo de voltar da tua página. A margarida que me ofereceste ainda é da minha cor preferida! Queria ainda dizer-te que, pelo que escreves, pelo que nos une, pela tua capacidade de estar cá e além mar ao mesmo tempo, também já havias denunciado as flores ao peito. Eu só não sei quais são.

26/1/06 10:01  
Blogger Thiago disse...

Gláucia,

E se o menino nunca brincou para se sentir menos só?
Se ele sempre foi só e continua sendo?

26/1/06 10:05  
Blogger Gláucia disse...

Thiago, querido, nunca é tarde pra brincar. Mas ir lá no portão espiar o menino sempre ajuda. As vezes a gente enxerga coisas que podem surpreender ou explicar e re-significar outras tantas. E ficar menos só nunca é definitivo, é sempre incidental. Eu me sinto menos só quando vens aqui. Me senti muito menos só quando disseste que havia mandado o "cem morangos" pra tua amiga...
Uma coisa dura mas muito importante, eu a tenho aprendido nos últimos tempos: para Encontrar o Outro, é preciso ter Encontrado antes o menino, constatado certas faltas (o que, em geral, é regado a muita lágrima) e ter encontrado, em si o vazio no qual o Outro vai ser acomodado e poderá se sentir bem. Então, sós, é bom que não esqueçamos de cultivar as flores em nosso peito. Bjos. Muitos.

26/1/06 12:42  
Blogger Thiago disse...

não tenho muitas palavras por enquanto a não ser: obrigado!

26/1/06 13:03  
Blogger Gláucia disse...

Não tenho muitas mais a não ser q estou sempre aqui. Aliás, tenho. Uma música: Haja o que houver (Madredeus). Mais bjs,

26/1/06 13:46  
Blogger Tuca disse...

Es-tu-pen-do! Obrigada, Glau. Te amo!

26/1/06 14:19  
Anonymous elisabete disse...

Para mim, uma das estórias mais belas e enternecedoras de sempre. Uma pequena obra-prima!
Obrigada, minha querida amiga!

27/1/06 11:03  

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Tanto Mar (Da Série Canções do Exílio)


Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

(Chico Buarque)
Imagem: José Branco

2 Comentários:

Blogger papalagui disse...

Lindo! Lindo! Lindo! essa música me toca muito :))

26/1/06 07:30  
Blogger Tuca disse...

Esta música é mesmo linda...

26/1/06 13:58  

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quarta-feira, janeiro 25, 2006

O Pipoqueiro (Da Série Inéditos e Dispersos)


Fui na reunião de pais da escola dos pequenos
e um pai queria porque queria tirar o pipoqueiro da frente do colégio.
Saí pensando:
estudo o dia inteiro
quando saio do colégio
encontro o pipoqueiro
meu pai olha pro relógio
ele diz não tem dinheiro
e me puxa para o lado
aí o pipoqueiro grita
- Pó... pode levar fiado!
meu pai fica furioso
acho que entendeu errado
aí é que o pipoqueiro grita
- pipoca salgada, pipoca doce,
pipoca com beicon, pipoca com côco
não sei se é o pipoqueiro
ou a falta de dinheiro
que tá deixando meu pai louco!

Versos nos presenteados pelo TIO RETTA. Obrigada.
As Margaridas te adoram, te amam, te veneram...

Imagem: Piquepoque

2 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Doce, tão doce, como é a pipoca de que mais gosto :o)

25/1/06 19:51  
Blogger Gláucia disse...

Doce como tu és Elis. Bjos

26/1/06 20:58  

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terça-feira, janeiro 24, 2006

Maluca (Da série Trilhas Sonoras do Dia)



Num dia triste de chuva
Foi minha irmã quem me chamou pra ver
Era um caminhão, era um caminhão
Carregado de botão de rosas
Ei fiquei maluca
Por flor tenho loucura, eu fiquei maluca
Saí
Quando voltei molhada
Com mais de dúzias de botão
Botei botão na sala, na mesa, na TV, no sofá
Na cama, no quarto, no chão, na penteadeira
Na cozinha, na geladeira, na varanda
E n janela era grande o barulho da chuva
Da chuva
Eu fiquei maluca
Eu fiquei maluca

(Luís Capucho, na voz da Cássia Eller)

Imagem: Beti Campos

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Não conhecia esta música. Mas adorei a letra, vou procurá-la para ouvir. Beijo.

25/1/06 14:04  

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Com exclusividade (Da série 'me segura qu'eu vou dar um troço')

Essas Havaianas foram produzidas numa homenagem exclusiva do fabricante para este Blog. É ou não é tudo? Será que nós vamos ser convidadas para fazer os comerciais? Ai, ai...o que não faz a falta de sono ...
Lili, agora no verão, na chuva, elas são uma boa pedida. Pelo menos parecem melhores do que aquele tênis...

8 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Ah, eu quero, eu quero, eu quero!!!!!!!!! Glau, traz-me um par de "Havaianas Margaridas" na mala, ok?! Meu número é 36!!! Beijo.

24/1/06 12:57  
Blogger Tuca disse...

Amei!!! Lindas!!!

24/1/06 13:00  
Blogger Gláucia disse...

Certo, combinado.
Bjo.

24/1/06 13:11  
Blogger Tuca disse...

Êba!!! Obrigada.

24/1/06 17:43  
Blogger papalagui disse...

A sério mesmo? Mil parabéns e são lindas!

24/1/06 19:57  
Blogger Gláucia disse...

Não é sério, não. É brincadeira. É verdade que tem o modelo com as Margaridas. Mas não foi em nossa homenagem.

24/1/06 20:08  
Blogger papalagui disse...

Os portugueses têm uma fixação por Havaianas. Cá são muito caras e não há tanta variedade. Com margaridas não tenho mas tenho umas com flores de hibisco :))

25/1/06 14:29  
Blogger Gláucia disse...

Quando for, levo-te uma de margaridas. É só me dizer o número.

25/1/06 21:37  

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segunda-feira, janeiro 23, 2006

E a semana começa bem (Da série Informes do Tempo)


"Alta noite já se ia" e a pessoa trabalhando, ouvindo a chuvinha pingando com constância e disciplina e mirabolando seu textinho. Então passa mail para amiga que está distante perguntando o que ela acha de um help tradutivo de seu maridinho versado em línguas clássicas classiquíssimas. E eis que quando acorda, na manhã seguinte, recebe um dos e-mails mais lindos da história muderrna. Sim, senhoras e senhores, é isso. O amigo (marido da amiga), meu amigo de infância, escreve dizendo que tudo que precisar para a dissertação será pra ele urgência urgentíssima, porque minhas causas são belas. Ai, ai, ai, essa mulé aqui tá com a cuca fundida e, depois desse mail, muito emocionada. Eu já disse, acho, mas eu vou dizer de novo mais umas 60 vezes nos próximos 60 dias: quem tem amigos faz dissertação diferente. Faz mais bonito. Faz com mais gana. Faz com. E fazer com é diferente. Caráter meramente informativo: a tradução é do grego. Tô com uma suspeita, meu povo...Se se confirmar vou me sentir a caçadora da arca perdida.
Laureta, mulher de Deus, tu é tudo nessa vida! Que rapidez. Marcant: aguarde emelho. Mas saiba que já me fizeste começar a semana chorando de felicidade.
Ah, só pra não deixar passar: o currículo de Mr. Cafeína. Fiquei tão abestalhada que não consegui comentar, vou ter que voltar mais tarde lá.
E a chuvinha continua, meu povo, mantendo a temperatura em níveis que permitem o raciocínio.
Eita vida bonita, eita vida sem jeito...
Imagem: Turner

9 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Que legal... Grande Marcant! Grande Laura! Beijos.

23/1/06 17:26  
Blogger papalagui disse...

Confirmo que com amigos é mais fácil. Só quando conheci o meu marido, na altura namorado, é que consegui acabar a dissertação. Teve uma paciência imensa e esteve sempre a meu lado. Bjs

23/1/06 20:04  
Anonymous Niña disse...

Glau,

Saudades!
Tenho vindo aqui quase todos os dias, mas o caos se instalou. Caos e sequidão. Tentei comentar na sexta é só deu erro. Um horror! Está tudo muito lindo como sempre.

Beijo enorme,
Niña

23/1/06 21:37  
Blogger Gláucia disse...

Tu estás bem?
Caos?
Mail me.
Vou ficar trabalhando na dissertação até tarde.

23/1/06 21:45  
Anonymous Paula disse...

Totalmente atrapalhada com burocracias intermináveis, mas sempre espiando por aqui....vai dar, vai dar, vai dar!
Tô torcendo, que bom ver esse entusiasmo!
A propo, sou teu inverso, leao com asc em sagitario... segui o link pro calexico, o que é esse moço, hein? Ganhou mais uma fã.Beijim.

23/1/06 23:55  
Blogger Gláucia disse...

Paula,
E o Rogério é Leão com lua em sagitário (igual ao moço do café). Posso? E nós duas invertidas...Isso também diz muito. Sabe quem é leão com asc. sagitário também? A Katarina, amiga da Laureta e minha.
Eu sei q tá uma correria. Vejo pelo Leandro. Mas vai dar, vai dar, vai dar. TÔ torcendo por vocês também.
Papalagui,
'esse com amigos é mais fácil' tem se confirmado a cada dia. Quando parece que não vai dar, que tranca, sempre aparece alguém com alguma coisa legal que empurra a gente pra frente.
Niña,
também estou com saudades. Fiquei preocupada. Beijos.
Tuquinha,
tu consegues lembrar de uma única vez nos últimos trinta anos em que o Marcant tenha nos deixado na mão? Fiquei pensando ontem e não lembrei.
A Laureta, em bem menos tempo, claro, mas também sempre foi de fé. Buena suerte.
Recebeste o mail dele q te reenderecei urgente sobre ir a Cádiz nesse final de semana?

24/1/06 10:35  
Blogger Tuca disse...

O Marcant é mesmo um grande cara! Amigo incondicional. Laura, ambora não tão póxima de mim, até onde sei, também é uma grande/pequena criatura.
Recebi o mail dele sim, e já respondi. Cádiz terá de ficar para próxima, pois estamos em período de exames e seminários na faculdade...

24/1/06 13:06  
Blogger Tuca disse...

Ainda no âmbito do Marcant nunca ter nos faltado:
Acabei de chegar da aula, e na volta para a casa, vi um sujeito no metro com um embrulho maior que ele.
No acto, lembrei-me do Marcant e de quando, há anos atrás, ele literalmente cruzou Porto Alegre de norte a sul, encarando dois ônibus, com um quadro negro (enorme) em punho para nos emprestar, pois queríamos estudar francês...

24/1/06 17:41  
Blogger Gláucia disse...

Isso é inesquecível.

24/1/06 22:54  

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Los Nadies (Da Série Sagrados e Consagrados)


Sueñan las pulgas con comprarse un perro y sueñan los nadies con salir de pobres, que algún mágico día llueva de pronto la buena suerte, que llueva a cántaros la buena suerte; pero la buena suerte no llueve ayer, ni hoy, ni mañana, ni nunca, ni en lloviznita cae del cielo la buena suerte, por mucho que los nadies la llamen y aunque les pique la mano izquierda, o se levanten con el pie derecho, o empiecen el año cambiando de escoba.

Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.
Los nadies: los ningunos, los ninguneados, corriendo la liebre, muriendo la vida, jodidos, rejodidos:
Que no son, aunque sean.
Que no hablan idiomas, sino dialectos.
Que no profesan religiones, sino supersticiones.
Que no hacen arte, sino artesanía.
Que no practican cultura, sino folklore.
Que no son seres humanos, sino recursos humanos.
Que no tienen cara, sino brazos.
Que no tienen nombre, sino número.
Que no figuran en la historia universal, sino en la crónica roja de la prensa local.
Los nadies, que cuestan menos que la bala que los mata.

(Eduardo Galeano)
Imagem: António Azevedo

3 Comentários:

Blogger Gláucia disse...

Aqueles dados de que havia falado, encontrei o paper. É da professora Maggi Carfield (Washington University School of Law, Brown and Washington U.S. os Social Work): "Aproximadamente seis bilhões de pessoas, no mundo, vivem com menos de dois dólares/dia, 1,1 bilhão vivem com menos de um dólar/dia. 30.000 crianças morrem, por dia, de doenças cujas causas eram preveníveis."
Esses dados não requerem maiores comentários, me parece.
Acho que esses são os "nadies".
O final do texto do Contardo (2001) que é uma das epígrafes da dissertação diz mais ou menos que é preciso admitir a realidade tal como ela é pra ter alguma chance de mudar o mundo.

23/1/06 12:47  
Blogger Gláucia disse...

Não que eu seja uma mala a monopololizar os comentários deste post, mas, só pra constar, o texto é lindo. E a foto também a escolheste muito bem Tuquinha. Estava pensando se não deveria tomá-lo como epígrafe também. Te Amo.

23/1/06 13:15  
Blogger Tuca disse...

Glau, este texto é um dos mais belos do Galeano, senão o mais. Adoro-o! Seria uma epígrafe perfeita para o teu trabalho. Ficaria lindíssimo. É uma ótima idéia. A propósito, a foto é de Cabo Verde... Também te amo!

23/1/06 17:05  

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domingo, janeiro 22, 2006

Gente Humilde (Da série Trilhas Sonoras do Dia)


Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar.

(Garoto - Vinícius de Moraes - Chico Buarque, 1969)
Na voz da Ângela Maria, uma arraso.

Imagem: Jorge Roque

4 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Amo esta música!!!!!! Trilha sonora perfeita. E a foto também é linda. Saudades da "minha gente". Beijos.

22/1/06 11:36  
Blogger papalagui disse...

Lindo! E ou muito me engano ou esta foto é mesmo da minha gente ou seja Portugal. Bjs e bom Domingo

22/1/06 12:08  
Blogger CALEXIco. disse...

Ahhh...bem domingo de sol, tristesinha que a gente ouve no rádio do jornaleiro quando sai para o pão fresquinho e a Zero Hora dominical.

...

Beijo

22/1/06 17:24  
Blogger Gláucia disse...

Tuquinha, eu sei que amas esta música. Rá. Foi de propósito!

Papalagui: tua gente, com certeza. Esta foto é de Chaves. É de agosto de 2005, e o fotógrafo também é português.

Alex, querido, só pra te consolar: o domingo foi nublado. Tristim táva. Beijos.

23/1/06 01:47  

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sábado, janeiro 21, 2006

Colega Solineuzza (Da série Parabéns a Você)


Não é pela tua beleza estupenda, nem pela tua inteligência notória, nem por qualquer outra dessas qualidades que comumente chama a atenção para alguém. Talvez seja um pouco pela vontade de abraçar que despertas em mim, pela ternura inquieta que há no fundo dos teus olhos, pela clareza esperta do teu sorriso. Talvez seja um pouco porque me enxergas bonita.
Mas é fato que és paixão comum e incontroversa de toda Família Margarida e que hoje te desejamos, todos juntos, um feliz aniversário, colega.
Imagem: Pedro Pereira

6 Comentários:

Anonymous Solineuzza disse...

Ai, tô de fralda já com todas essas homenagens... Amo vocês!
Brigadão, beijocas da Soli!!!!

21/1/06 11:52  
Blogger Gláucia disse...

Tu merece, colega.

21/1/06 20:08  
Anonymous José Carlos disse...

Nada hoje. Parabéns...

22/1/06 03:05  
Blogger Gláucia disse...

Mais três páginas da dissertação. Espero sair da Grécia logo, se não isso não vai prestar. Vou tentar dormir, pra dar uma corridinha endorfinativa amanhã, produzir mais umas pagininhas e encarar Alcatraz na segunda. Eita, eita. Não tem espaço pra dormir na minha cama. Os livros estão espalhados por tudo...

22/1/06 05:00  
Blogger Gláucia disse...

Tchê, é impressão minha ou tu tbém nunca dormes?

22/1/06 05:01  
Anonymous José Carlos disse...

De quando em vez...

22/1/06 09:04  

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sexta-feira, janeiro 20, 2006

Declaração (Da série Bilhetes e Lembretes)



Eu tenho uma declaração a fazer.
Senhores e senhoras navegantes:
ter orientador é o que há.
Sou uma pessoa de sorte.
Muita sorte.
Mais tarde explico melhor.
Agora estou em surto eufórico.
Vai dar certo, vai dar certo, vai dar certo...


Imagem: glau (rua de porto alegre, na quarta-feira chuvosa)

5 Comentários:

Anonymous Joelma disse...

Vai.
Vai.
Vai.
Vai.

(novo mantra :)

20/1/06 22:12  
Blogger papalagui disse...

Claro que vai. Beijos grandes

20/1/06 22:16  
Anonymous tuca disse...

Que bom sentir este teu entusiasmo! Vai dar certo, sim! Beijo.

21/1/06 22:22  
Blogger Gláucia disse...

Gurias, tá saindo. O hômi é o que há de bom na terra. Meu número certinho. Ele entende o que digo (eu acho isso o máximo, dá uma sensação maravilhosa de estar falando português). E até quando a gente discorda é bom, pq ele me ouve com atenção e as vezes eu aprendo tanto!
Tá lá Jô, vai, vai, vai...gostei.
Tuquinha e Papalagui, com todo o oceano a nos separar vocês sempre na torcida. Obrigada.

22/1/06 05:07  
Anonymous Keiko disse...

Eu também sei que vai dar certo. Estou na torcida, Glau.

22/1/06 12:02  

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Rosa Branca (Da Série Hai-Kai)


Aguaceiro no roseiral
Molhada, pálida rosa branca
esqueceu o guarda-chuva


Imagem: Catherine

2 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Amiga, querida! Mais uma apaixonda pelas belas florinhas, pelo que tem dado para ver. Também eu as amo. E, se quiseres cuscar um pouco um blog de alguém que também tem paixão pelas ditas, visita o da minha amiga "teresamar", em www.tempodeteia.blogspot.com. Ela é prof, como eu, logo, muito do blog fala de educação, mas também de "coisas" lindas como é a teresa e do mundo que se torna todo ele belo também quando vto pelos olhos dela. Acho que vais gostar.
Muitos beijos doces.

E.

21/1/06 09:19  
Anonymous tuca disse...

Obrigada pela dica, Elisa, vou visitar as coisas lindas da Teresa. Beijo.

21/1/06 22:24  

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Copo-de-leite (Da Série Hai-Kai)


Alva-flor sul-africana
Esbanja garbo, exala estilo
Copo-de-leite, lírio do nilo


Imagem: Nuno Ascenção

0 Comentários:

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quinta-feira, janeiro 19, 2006

Dançando na chuva (Da série Informes do Tempo)


A chuva continua caindo. Agora mansinha, constante. Tem dias em que a coisa não rende mesmo, por mais que a gente fique ali parado e insistente, em frente à desafiadora página em branco. Ok. Então é isso. Um resto do dia que teima em voltar. Ecos...Não consigo parar de pensar nas relações camaleônicas, que vão se adaptando às mudanças das circunstâncias, às mudanças das pessoas mesmas, às perturbações em volta, enfim, a tudo, para permanecerem e continuarem nas nossas vidas. Relações que vão se esgueirando pelas frestas e se acomodando; nas quais os pares se alternam como bailarinos que trocam de figurino, que dançam a música que for tocada, mesmo sem qualquer ensaio, que recomeçam passsos azuis a cada erro, e vão desenhando uma trajetória que talvez não possa ser compreendida de fora, mas que os mantém unidos. Menos sós. É tão melhor do que a ilusão da dança perfeita...Chega a doer. Ah, essa chuva mansa chovendo...tomara que continue amanhã.
Imagem: Vânia Laranjeira

2 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Chove, lá fora. Às vezes morrinha durando horas. Às vezes aguaceiro breve. Às vezes chuvada sem dó nem piedade que, no entanto, essa sim, parece ser capaz de, ao cair, lavar o mundo de todos os pecados das gentes. Gotas que o vento faz dançar num ballet eterno, alado. Gotas que caem no chão num sapateado que nos embala. Quem não ama ouvir, no seu conforto, a chuvinha batendo nas vidraças. Felizmente, chove de novo. Chuva abençoada que nos lavas a alma também.

21/1/06 09:28  
Blogger Gláucia disse...

Eu sempre digo que uma das peculiaridades deste abençoado blog é que muitos comentários bem poderiam ser novos posts. Esse é outra prova. Obrigada por vires aqui deixar tuas marcas sempre tão bonitas, Elis.

22/1/06 05:11  

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quarta-feira, janeiro 18, 2006

Redescobrir (Da Série Túnel do Tempo)


Como se fora brincadeira de roda... memória
Jogo do trabalho na dança das mãos... macias
O suor dos corpos na canção da vida... história
O suor da vida no calor de irmãos... magia
Como um animal que sabe da floresta... perigosa
Redescobrir o sal que está na própria pele... macia
Redescobrir o doce no lamber das línguas... macias
Redescobrir o gosto e o sabor da festa... magia
Vai o bicho homem fruto da semente... memória
Renascer da prórpria força, própria luz e fé... memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós... história
Somos a semente, ato, mente e voz... magia
Não tenha medo, meu menino bobo... memória
Tudo principia na própria pessoa... beleza
Vai como a criança que não teme o tempo... mistério
Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor... magia
Como se fora brincadeira de roda... memória
Jogo do trabalho na dança das mãos... macias
O suor dos corpos na canção da vida... história
O suor da vida no calor de irmãos... magia

(Luiz Gonzaga Jr./Elis Regina)
Imagem: Maria São Miguel

1 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Lindo! No conteúdo e na forma! Não conhecia! Obrigada!

21/1/06 09:31  

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Temperatura amena e a visita do anjo (Da série Informes do Tempo)

Um dia de chuva e temperatura amena. Maravilhoso para escrever. E a previsão do tempo é de que continuará chovendo pelo menos até domingo. Não é uma maravilha? E eu acabo de reencontrar um texto do Contardo que contém uma das minhas epígrafes (estava perdido desde 2001!!!). E não paro de repetir o mantra "vai dar certo, vai dar certo". E um dos meus anjos deu de sussurrar coisas no meu ouvido (será que com a Joana começou assim?) Ai, mas tão lindas, tão lindas... Anjo querido, por vezes é mais difícil romper as algemas quando elas são de cristal...Juntar os pedaços quando eles se espalharam muito, devido a sucessivas explosões muito fortes. Mas tenho fé em que "Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica(r) de mim em mim é (será) cada vez mais essencial e verdadeiro." Portanto, apostando que eu sobreviva, apostando que essa dissertação saia, Tejo e morangos frescos em abril. Quem sabe não está por aí algo que possa me ajudar a 'colar esses cacos de sonhos'. Por enquanto, tentar escrever. Apostar e trabalhar.
Citação: Caio Fernando Abreu
Imagem: Igor Levashov

2 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Tu escreves "p'ra burro", mulher! :o) Não sei se o que te move é mesmo só a paixão da escrita, se a necessidade profissional, se a necessidade de dar ao mundo algo novo todos os dias, se a vontade de SER e de fazer os outros SEREM, também, mais e melhores, sei lá, tudo junto, acho eu, e muito mais... Bem hajas por escreveres tão maravilhosamente bem. Acho que o mundo que te lê só tem a ganhar contigo, tenha a tua escrita a forma que tiver.

21/1/06 09:57  
Blogger Gláucia disse...

Elis, tu não podes imaginar o bem que essas tuas palavras me fizeram. Pra te dizer a verdade, além de bestinha e orgulhosa (normal diante da bondade do teu comentário), fiquei comovidíssima). Realmente comovida. Oxalá eu possa, qualquer dia desses, fazer o mesmo por ti.

22/1/06 05:16  

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terça-feira, janeiro 17, 2006

Quem de nós dois (Da Série Trilhas sonoras do dia)


Eu e você
Não é assim tão complicado
Não é difícil perceber

Quem de nós dois

Vai dizer que é impossível
O amor acontecer

Se eu disser que já nem sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu já conheço o teu sorriso, leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
Que eu já nem preciso

Sinto dizer
Que amo mesmo,
Tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos

No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro

Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida

Eu procurei
Qualquer desculpa
Pra não te encarar

Para não dizer

De novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar

Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades
Você conhece o meu sorriso
Lê no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
Porque eu já nem preciso

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro

Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida

(Ana Carolina)
Imagem: Dörte Schneider

5 Comentários:

Blogger Lili Cheveux de Feu disse...

Huuummm... Detesto Ana Carolina e suas versões toscas... Sorry.

17/1/06 16:58  
Anonymous Karina disse...

Ah, eu adoro, mesmo sendo versões.

17/1/06 17:29  
Blogger Tuca disse...

Eu gosto de algumas músicas dela. Esta, por exemplo, soa-me muito bem. Mas gosto não se discute...

17/1/06 17:34  
Blogger Miranda disse...

Eu já adoro Ana Carolina. E também gosto dessa música.

17/1/06 21:12  
Anonymous J.L. disse...

Eu vou ser sincera meninas. Eu não gosto da Ana Carolina, especialmente conhecendo algumas histórias de bastidores...
E sou contra tradução de qualquer música, a não ser que seja feita pelo Gilberto Gil que às vezes melhora a versão original.
Mas confesso: essa música (ainda que eu afirme exaustivamente que odeiooooo), quando toca, eu ouço até o fim...hihihi
Beijos!!!

17/1/06 23:48  

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Esperando na chuva (Da série Imorais e Surreais)



O dia já se fora. O início da noite trouxe uma chuva que só mais tarde se definiu por aguaceiro. Uma criatura que não faz a mínima idéia de onde se enfiar para passar a noite disca pro celular de um sedizente amigo que tem amigos na cidade onde ela, por acaso, se encontra. Amigos que talvez saibam indicar um lugar pra dormir. E a ligação é derrubada após duas chamadas...Detalhes sórdidos: ele sabia que ela ia ligar. Aliás, ele tinha ficado de telefonar dando a dica. Ele é casado com uma senhoura que não pode ouvir o som do celular sem lembrar de fuçar nas chamadas, recados, mensagens, etc, e que tem uma certa, por assim dizer, incompatibilidade com qualquer coisa que possa usar saias e passe perto do seu maridinho. A pergunta que não quer calar é: vale a pena contar com alguém que derruba a ligação, deixa a infeliz plantada no meio da chuvarada, e não tem nem a consideração de mandar um torpedo, mais tarde, perguntando se a criatura conseguiu hotel? Ora, por favor...

Imagem: Carlos Nuno Freitas

1 Comentários:

Anonymous tuca disse...

O texto ficou ótimo. Mas que amigo, hein?!

17/1/06 13:47  

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segunda-feira, janeiro 16, 2006

Olhar que vê, mas não enxerga (Da Série Protestos e Manifestos)


Ando lendo alguns estudos acerca da globalização, exclusão social e movimentos migratórios. E sempre que penso no tema, remeto-me à frase dita e repetida desde há muito pelo companheiro Lis: "O que mais dói é o olhar da criança que não têm para a criança que têm; é um olhar que vê, mas não enxerga, a diferença". E não são os livros que demonstram esta realidade; não a constato em minhas leituras, mas sim nos colos de mães cansadas, nas estações de trem, nas esquinas dos subúrbios.


Imagem: José Silva Pinto

2 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Segundo o próprio Lis, dá vontade de chorar. E dá mesmo...

18/1/06 00:58  
Blogger Tuca disse...

Lembrei-me do pai ao reler este parágrafo. De quando, em discussões familiares, defendíamos umas às outras, e ele nos chamava de "advogadas dos fracos e oprimidos"... Sem dar-se conta que ele mesmo nos ensinara a ser assim.

18/1/06 13:20  

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Adeus (Da Série Sagrados e Consagrados)


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

(Eugénio de Andrade)

Imagem: José Roberto

1 Comentários:

Blogger elaine disse...

Glaucia querida, que poemalindo de adeus, tocou minhas pessoalidades.

bjo

Elaine

17/1/06 09:20  

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domingo, janeiro 15, 2006

Je l'aime à mourir (Da série Trilhas Sonoras do Dia)


Moi je n'étais rien et voilà qu'aujourd'hui,
Je suis le gardien du sommeil de ses nuits.
Je l'aime à mourir
Vous pouvez détruire tout ce qui vous plaira
Elle n'a qu'à ouvrir l'espace de ses bras
Pour tout reconstruire. Pour tout reconstruire.
Je l'aime àmourir

Elle a gommé les chiffres des horloges du quartier
Elle a fait de ma vie des cocottes en papier, des éclats derire
Elle a bâti des ponts entre nous et le ciel
Et nous les traversons à chaque fois qu'elle
Ne veut pas dormir. Ne veut pas dormir. Je l'aime à mourir

Refrain

Elle a dû faire toutes les guerres pour être aussi forte aujourd'hui,
Elle a dû faire toutes les guerres de la vie et l'amour aussi.

Elle vit de son mieux ses rêves d'opaline
Elle danse au milieu des forêts qu'elle dessine.
Je l'aime à mourir
Elle porte des rubans qu'elle laisse s'envoler
Elle me chante souvent que j'ai tort d'essayer
De les retenir. De les retenir. Je l'aime à mourir

Pour monter dans sa grotte cachée sous les toits
Je dois clouer des notes à mes sabots de bois. Je l'aime àmourir
Je dois juste m'asseoir, je ne dois plus parler,
Je ne dois rien vouloir, je dois juste essayer
De lui appartenir. De lui appartenir.

Je l'aime à mourir

Refrain...

Elle a dû faire toutes les guerres pour être aussi forteaujourd'hui,
Elle a dû faire toutes les guerres de la vie et l'amour aussi.

Moi je n'étais rien et voilà qu'aujourd'hui,
Je suis le gardien du sommeil de ses nuits. Je l'aime à mourir
Vous pouvez détruire tout ce qui vous plaira
Elle n'a qu'à ouvrir l'espace de ses bras
Pour tout reconstruire. Pour tout reconstruire.
Je l'aime à mourir

(Francis Cabrel)

Imagem: William Neill

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sábado, janeiro 14, 2006

A Margarida Chora (Da série Pergunte ao Pó)

Por que será que exatamente no momento em que você mais precisaria conversar com alguém em quem confiasse, naquele justo e exato instante, todas as pessoas estão almoçando, ou estão na praia, ou estão ocupadas, ou já deixaram claro o suficiente que você lhes é desagradável e atrapalha a vida delas? Por que será que quando parece que as coisas vão começar a dar certo um burocrata infeliz comete um erro e você recebe uma enxurrada de trabalho que não sabe fazer (pois são do colega que você substitui), quando deveria estar descascando outros pepinos para sair em férias? Por que será? Por que logo hoje? Um dia depois de ontem e uma dia antes de amanhã? Um dia em que você deveria estar fazendo outras coisas. Um dia que não podia ser perdido. Enfim...por que será? Será que a gente chama para si, inconscientemente, certos infernos, e depois não consegue dar conta?

Imagem: Paulo Medeiros

9 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Então me liga!!!!!!!!! Eu te escuto! Estou esperando...

14/1/06 15:50  
Anonymous Nina disse...

E eu querendo falar contigo. So nao liguei para nao atrapalhar.

Nina

14/1/06 17:57  
Anonymous Anônimo disse...

Quem me dera ter a chance de conversar contigo.

14/1/06 18:18  
Blogger Harriet disse...

Niña,
tu não atrapalhas. Mas hoje, se ligasses, talvez não conseguísssemos falar porque me enchi de remédios pra dormir pra ver se conseguia descansar um pouco. Estou acordando só agora.
Sr ou Sra Anônimo,
Para falar conversar comigo, basta escrever para margaridainventada@gmail.com. Sendo pessoal, favor colocar Harriet no assunto. Obrigada,

14/1/06 22:07  
Blogger CALEXIco. disse...

Criatura!

Mas o que é isso??? Se entupir de remédios é uma coisa pééééééssima...

Nananina-não!

Digo por experiencia, gente fica torpe no dia seguinte, se sentindo um coco (não a fruta, mas, veja bem, a preguiça de colocar o circunflexo é maior do que eu).

Exigimos anti-doping nas margaridas!!!

Cuida de ti, porque eu não te quero mal, visse???

Te beijo,

A.

15/1/06 15:08  
Blogger Harriet disse...

Comme d'habitude, Mr. Cafeína com toda a razão. O dia seguinte é isso mesmo. Estou me sentindo um coco (tbém não vou colocar acento, mas não é por preguiça...). Mas já está passando...Ligarei pra tarada endorfínica da tua amiga Glau pra correr no final do dia. Em geral funciona. Especialmente porque ela corre 10k sem calar a boca e ouvindo música (ou seja, aos gritos). É diversão certa...
Alors, estamos providenciando...
O único risco é o seguinte: ela tá monomaníaca: só quer saber da dissertação. Aí...bem, aí vou recorrer a morangos...com muito açúcar.
Te beijo,

Pode

15/1/06 15:33  
Blogger CALEXIco. disse...

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.


Ana Cristina Cesar

Agora ve se dorme. Com um beijo

16/1/06 03:09  
Blogger Harriet disse...

Mas vem cá, bruxo agora? Não bastam os outros cacos de magia? Como é que tu sabes que ainda estou acordada e já devia estar dormindo? E da onde que tu me desencavas uma ACC tão perfeita, tão apropriada? Teu texto de hoje tava tão tudo...eu também quero quindim de verdade. Não consegui comentar. Não estou conseguindo fazer muita coisa. mas eu vou dormir agora. Bem obediente e bem linda. E amanhã vou lá te ver de novo e me deliciar.
Beijos. Muitos. Ternos e agradecidos.

16/1/06 03:30  
Blogger CALEXIco. disse...

Pode me faltar muita coisa na vida, caríssima, mas intuição tem de sobra.

Aqueles mesmos, com asas.

16/1/06 06:10  

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Para Paulinha, Megera-Irmã (Da série Vejo Flores em Vocês)



Para a Paulinha, que também ama margaridas, e para o Marcus, que também ama Paulinha, pelo casamento, esse poema lindo de morrer, do Cássio Junqueira:

prometo...

ser leal com você e comigo,

procurar a sua felicidade e nunca abrir mão da minha,

te magoar o mínimo que puder

e sempre, que for devido, te pedir perdão

sinceramente,

olhar nos seus olhos.

prometo acima de tudo

respeitar você,

incentivá-la para que seja quem você é.

se eu falhar...

peço que se imponha... com amor.

peço também que me ajude a ser quem sou,

que nunca me deixe desistir.

peço que sejamos verdadeiros.

peço que tudo isso seja pra sempre...

pois, assim, será possível.

Imagem: edou kamara

1 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Adoro este poema!
Paulinha, que sejas feliz!

14/1/06 15:59  

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sexta-feira, janeiro 13, 2006

Redescobrir (Da Série Pergunte ao Pó)


Eram um casal sexagenário. Professores aposentados. Ela, na juventude, ensaiara alguns versos, jamais publicados, apenas recitados em tertúlias literárias – que costumavam acontecer ocasionalmente na cidade – numa das quais se conheceram, há trinta e oito anos atrás. Dentre sorrisos, olhares, beijos e poesia, apaixonaram-se. Algumas estrofes depois, estavam casados. Correram os anos. E os sorrisos, olhares, beijos e poesia foram escasseando com o passar do tempo. E dentre querelas e demandas de alunos de escolas públicas do subúrbio, classes e cadernos, provas e trabalhos, os versos morreram. Não tiveram filhos. Envelheceram sós... Ele queixava-se de saudades dela, doutros tempos. Talvez dos sorrisos, olhares, beijos e poesia. Tinha vontade de namorá-la novamente. E quando a convidou para irem ao cinema – depois de duas décadas – ela respondeu amarga, dizendo que velhos não vão ao cinema, que velhos não namoram. Ele calou-se e não mais tocou no assunto. Outro dia, ao chegar da feira, encontrou-a sentada na sala, com flores nas mãos e lágrimas nos olhos. Questionada, ela afirmou que recebera a visita de um rapaz, estudante da Faculdade de Letras. Um admirador que descobrira seus antigos versos, que declarou-se a ela, disse-lhe que a adorava, apreciava tamanha beleza e sensibilidade de sua escrita. Levou-lhe flores, recitou-lhe umas redondilhas já esquecidas, e foi-se. O velho não entendera direito o ocorrido e, um tanto enciumado, desdenhou as flores orgulhosamente exibidas. Ela perguntou, num tom de deboche, se ele tinha ciúmes. Ele respondeu, seco, que não. Ela fitou-o demoradamente, ganhando a certeza daquilo que um dia desconfiara: amava-o. Sorriu-lhe, deu-lhe um beijo, e convidou-o para irem ao cinema.


Imagem: Carlos Sousa

1 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Simplesmente enternecedor! Oxalá possa ir envelhecendo assim, nesta madura inocência, que nos traz de volta às origens de nós mesmos.

13/1/06 18:05  

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Aniversário do Pai (Da série Bilhetes e Lembretes)


Pai,
hoje farias aniversário se estivesses vivo. E então tomarias teu chimarrão. Essa foto, do pai da J.L, me lembra de ti desde a primeira vez que a vi. Mas não tomarás chimarrão hoje. Creio que estás agora imerso na eternidade, como disse o Hélio Pellegrino, e teus cabelos já não branqueiam, e teu corpo já não mirra mais, e tua memória já não regride. Ficaste parado em algum não-lugar. Mas as coisas aqui seguiram andando. E eu tive que andar também. Cada vez mais para longe de ti. Com dor e saudade tentei filtrar, da tua herança, o que me pertencia. Hoje sei que são as palavras. Tenho tentado de muitas formas me haver com elas. Não permitir que se tornem algo burocrático, mas que refundem minha existência e a ela dêem sentido, como deram sentido à tua vida. Às vezes me pego perguntando "onde andará a alma inquieta do poeta? Eu bem queria que estivesse aqui comigo..." E percebo que te foste no tempo que era o teu tempo. E que o que te fez eterno em mim não foi a tua partida, mas a tua estada. Apenas me entristece profundo que não tenhas conhecido tua neta. Ela te orgulharia. Tem muito do Rogério, teu filho escolhido e acolhido. Mas tem muito de ti também. Em especial um estranho e permanente gosto pela Lua...
Sinto tua falta.
Te Amo, pai.

Imagem: Chico do Vale
Referência: 'Onde andará a alma inquieta do poeta?' de Marco Aurélio Vasconcelos em homenagem a J.H. Retamozo

12 Comentários:

Blogger papalagui disse...

Um beijo grande grande! Como te compreendo Glaúcia. Onde estiver terá muito orgulho da Calrinha, que é tão linda. Eu fiquei com mágoa de nunca ter dado um neto para o meu pai, mas nem sempre se podem escolher essas coisas. Mil beijos

13/1/06 08:32  
Blogger Gláucia disse...

Querida Papalagui,
Essas são ironias da vida, não é mesmo. Tens a mágoa de não lhe ter dado um neto. E trago a dor de que, quando Clarita nasceu, ele já não tinha condições de reconhecê-la...Nossas dores, nós as transformamos em palavras. Como eles faziam. E é isso que nos faz, de certo modo, suas herdeiras...

13/1/06 09:54  
Blogger papalagui disse...

É mesmo, querida Gláucia. Acho que eles gostariam de ser lembrados com alegria e sem mágoa, e é tão difícil fazê-lo... Tenho a certeza que se o meu pai conseguisse ler o meu blogue iris ficar muito feliz e orgulhoso. Bjs

13/1/06 10:19  
Blogger Tuca disse...

É... Esta chaleira lembra mesmo o pai. Tomemos hoje um chimarrão por ele. Belíssima esta crta, Glau. Emocionante. Não consigo dizer mais nada. Beijo.

13/1/06 11:43  
Blogger papalagui disse...

E o que é um chimarrão? Me desculpem a ignorância... E já agora posso pôr um link no meu blog para a Margarida?

13/1/06 17:37  
Anonymous Niña disse...

Lindo demais. Só que tem coisas que vocês escrevem que eu não consigo comentar. Me tocam profundamente.

Leio, dou uma arejada e depois volto, com a esperança de poder dizer algo que acrescente. E só sai um lindo já gasto.

Beijos,
sodade.
Nña

13/1/06 18:42  
Blogger Rogério disse...

Papalagui

Chimarrão é uma bebida tradicional da cultura gaúcha, uma espécie de chá com algumas complicações na preparação. Vais me perguntar o que é 'gaúcho'? É o resultado de um mix entre a cultura espanhola e dos indios sul-americanos.
Tens aí um link para os detalhes da bebida:

http://www.pousadacaina.com.br/CHIMARRAO.htm

13/1/06 21:00  
Blogger papalagui disse...

Obrigada Rogério. Gaúcho eu sei o que é, agora chimarrão não fazia ideia, até porque aqui em Portugal há um restaurante brasileiro de rodízio que se chama Chimarrão e não associava a uma bebida. Obrigada :)

13/1/06 22:01  
Blogger Gláucia disse...

Querida Papalagui,
Nós ficaríamos muito felizes e honradas se colocasses um link para o Margarida. E te pedimos, desde logo, autorização para fazer o mesmo.

Ainda sobre o chimarrão, nosso pai tomava todos os dias: de manhã bem cedo e no fim da tarde. Muitas pessoas aqui no Rio Grande do Sul têm o mesmo hábito.

Bjos

14/1/06 00:26  
Blogger Gláucia disse...

Niña,
Esse 'lindo' nunca gasta, porque a gente sabe que é do fundo do coração. E que, como a Papalagui, também tiveste perdas recentes que fazem com que entendas muito proximamente do que estamos falando. Por vezes, entender com essa proximidade implica não conseguir dizer. Posso afirmar isso com toda certeza, pois passei por um longo período de total ausência de palavras.

14/1/06 00:30  
Blogger papalagui disse...

Bom dia! Claro que podem pôr o link, é uma honra e um prazer. Bj

14/1/06 08:25  
Blogger Chico do Vale disse...

Glaucia,
Que linda a mensagem que escrevestes para o teu pai. De emocionar mesmo. Fico mais emocionado ainda por ter contribuido, de alguma forma, para aflorar em voce esse sentimento. Pela chaleira. Essa chaleira eu a fotografei no ano passado, no seminario onde estudei ha 40 anos. Eu me lembrava dela sobre o fogao e fiz questao de fotografa-la. Para nos era apenas uma chaleira de cafe, mas tenho certeza que o seu pai logo iria pensar tratar-se de uma chaleira pra chimarrao. Abracos pra voce e para o Rogerio.
P.S. Deh uma olhada no meu site, tem umas fotos novas, muito bonitas, de orquideas.

15/1/06 21:22  

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Carta ao Pai Morto (Da série Cartas Reenviadas)


Pai,

Amanhã, dia 22 de agosto, é seu aniversário. E você está morto. Pela primeira vez você aniversaria, estando morto. Isto quer dizer: você, em verdade, não aniversaria, você está além do tempo, fora dele, imerso na eternidade. Você, que já morreu, isentou-se do tempo, não aniversaria mais, nem morre mais. Você está maduro, cumprido, completo, além da sorte, do rumor do mundo. Eu me lembro de você, com carinho, ternura e tristeza. Eu, ainda tecido de tempo, eu que morro a cada dia, me lembro de você e de seu aniversário. Você, nascendo, inaugurou a possibilidade de que eu nascesse. Você, nascido, me precedeu, e agora sucedo a você, e me lembro de você, por você, em seu nome. É preciso que você precise desta minha lembrança – pequeno ramo de flores que ofereço a você, por você e para você, substituto que sou de você, cuja chama viva continua a viver em mim:você está no reino da imemória, e o seu calor passou para as minhas mãos, para que eu me lembre dele, e o honre Precedido por você, sucedendo a você, plantei, por minha vez, as sementes das árvores que, já nascidas, me sucedem e me sobreviverão. Quero honrar sua memória – e sua vida. Quero que o seu aniversário seja, mais uma vez, o dia do compromisso meu com você: de que eu assuma a minha vida e a minha liberdade. De que eu seja fiel ao que de melhor for vivo em você. Assumindo minha vida e minha liberdade, sou fiel a você, à chama que você me legou, à vida que tenho e que , sem você, seria impensável. Prossigo, por mim, por você, por todos os que nos antecederam, por meus filhos e pelos que me sucederem, por todos os homens a minha caminhada. Que ela seja corajosa, bondosa, firme. Que eu tenha as coragens que faltaram a você, os gestos literários que seus versos não puderam esboçar. Que você se sinta mais livre e mais vivo, em mim. Que eu leve, mais longe, a vida que você me legou. Que eu salve você, dentro de mim, que eu esteja, em mim, bem vivo para que você – que eu continuo – fique bem vivo, livre, humano e profundo, em mim, por mim, por você, por todos.

Te Amo, pai.

(Hélio Pellegrino)

Imagem: Marcelos Guedes

3 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Ah, isto é covardia! Não consigo dizer nada, só chorar... Esta carta é muito bonita. Beijo cheio de ranho.

13/1/06 01:29  
Blogger Tuca disse...

Como é que tu conseguiste digitar??? Eu não conseguiria chegar ao fim!

13/1/06 01:33  
Blogger Gláucia disse...

Ah, eu venho digitando faz muito tempo. Muito tempo mesmo. E só assim, aos poucos, deu pra terminar. Bjos

13/1/06 02:40  

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quinta-feira, janeiro 12, 2006

Solidão (Da série Trilhas Sonoras do Dia)

Dança da Solidão

Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão
Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão
Caméllia ficou viúva, Joana se apaixonou
Maria tentou a morte, por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado
Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado

Quando vem a madrugada, meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola, contemplando a lua cheia
Apesar de tudo existe, uma fonte de água pura
Quem beber daquela água não terá mais amargura.

(paulinho da viola, cantada por Marisa Monte)

Imagem: Leonardo Tricot Saldanha

5 Comentários:

Blogger Tuca disse...

SIMPLESMENTE AMO ESTA MÚSICA!!! AMO, SACOU?! BEIJOS. MUITOS BEIJOS.

13/1/06 00:01  
Blogger Gláucia disse...

E eu também. Amo. Aliás, amo todo esse disco. Lembra que a gente ouvia direto na época da minha formatura?

13/1/06 00:11  
Blogger Tuca disse...

Lembro, lembro, lembro... Nós super monomaníacas, quando gostamos de uma coisa, parece que não há mais nada!

13/1/06 01:31  
Anonymous Niña disse...

Pelo jeito eu faço parte do mesmo clube. AMO essa música e também tenho cá minhas monomanias.

13/1/06 02:23  
Blogger Gláucia disse...

Niña,
Eu nunca tive nenhuma dúvida de que fazias parte do mesmo clube. Aliás, somos "poeira da mesma estrela", meio que plagiando o Marçal Aquino (deus, deus, deus!!!!!!)

13/1/06 02:32  

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Um dia de quem tem amigos (Da série Informes do Tempo)


Sob um calor escaldante e uma luz impiedosa, escrever, escrever e escrever. Depois de ler, ler, ler. E quando o cérebro pifa digitar citações e citações e citações. Sim, é isso. Mas quem tem amigos não fica sozinho nem numa empreitada dessas, e disso vos dou meu testemunho. Porque a criatura acorda apavorada de um pesadelo terrível: tinha se despedido em definititivo do seu melhor amigo. Sabiam que não se veriam mais. E a sensação do sonho era angustiante, a atmosfera pesada. Ainda sonâmbula, liga pra conferir se ele ainda está lá (longe, é verdade, mas ainda se abraçarão e implicarão muito um com o outro). E ele está. E ele a faz rir. E ele diz coisas muito duras de ouvir. E ela ouve. Ela chora. Ela dói. Mas é verdade, o que se há de fazer...E ela abre o e-mail e está lá: "força na peruca", que é um profundo, embora heterodoxo, voto de confiança. Há ainda uma liminar. E uma criança com saudades, porque nos últimos dias a mãe dela só se tranca pra ler e escrever. E há também outra amiga. Uma amiga que quer ajudar. A amiga que carinhosamente a chama de "argentina" porque tudo é muito e muito e forte e forte e dramático e definitivo. E elas dão muita risada, e a amiga ouve pacientemente suas fantásticas elocubrações sobre igualdade (embora não concorde com nada). E uma pessoa que não a enxergou por 10 meses, de repente, não mais que de repente, virou-se pra ela como se nunca antes a tivesse notado. E até lhe dirigiu a palavra. E no divã descobriu que igualdade não é um problema acadêmico, mas existencial. E reviu uma menina muito pequena, cabelos cacheados cor-de-mel, cujos olhos testemunharam coisas que o coração até hoje não entendeu, mas cujas mãos digitam e digitam porque a menina, crescida, acredita que é possível mudar. E outro amigo liga e diz que sim, pode ajudá-la e desenhar pra ela, como se ela tivesse quatro anos, o que ela não entender. E sente muita saudade de outra amiga que está longe. Ao cair da tarde, sai e corre com outros dois amigos. Que são irmãos. Que são encantadoramente doces. Correm juntos enquanto o sol vai se escondendo, tentando não parar mesmo com todo o calor, mesmo com os batimentos muito altos,'porque é preciso andar'. E uma criança cor-de-rosa e doce vem contar que "môrgulhou" na piscina com "tu pai". E elas vêem juntas Monstros S/A enquanto a mãe lê em voz alta o texto que "tu pai", também conhecido como "dicionário facilitado de línguas" vai ajudando a traduzir. E liga uma amiga que está triste e decepcionada, e que diz, do seu jeito, que a ama sim, e que é bom tê-la por perto. E ela fica feliz por ela ter ligado. Então ela volta para o texto, agora sozinha. E ele vai ficando cada vez melhor. E quando cita Dickens (Hard Times) ela quase surta. Já está menos calor. De qualquer forma, decide continuar a leitura deitada na lajota gelada do banheiro, pra não correr o risco de pegar no sono. Talvez não durma. E repete o mantra pra si mesma: vai dar certo, vai dar certo...
Imagem: Cheri Blum

4 Comentários:

Blogger Tuca disse...

Glau, não pira! É claro que vai dar certo! Estou torcendo. Beijo. Te amo.

12/1/06 07:33  
Blogger papalagui disse...

Gostei muito do texto. Calma, Gláucia, não sei que você faz exactamente mas dá para ver que esstá sendo difícil. Força, vai tudo acabar bem. Bjs. Leonor

12/1/06 07:39  
Anonymous Joelma disse...

Ah, vai! Como são doces e, ao mesmo tempo, tão fortes tuas palavras Glau. Beijo e, ãhn, FORÇA NA PERUCA! :)

12/1/06 10:47  
Blogger Gláucia disse...

Valeu gurias. 100% força na peruca.

12/1/06 11:22  

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Casa Fernando Pessoa (Da série Bilhetes e Lembretes)

Lembram que a Margarida Premiada Romance 2005 foi dividida entre Dulce Maria Cardoso e Francisco José Viegas, que, aliás, já frequentava este blog na qualidade de poeta? Pois bem, vejam como o bom gosto margarídico se confirma. O homem foi nomeado o novo diretor da Casa Fernando Pessoa (Lisboa-PT).
Parabéns, Chico.


Imagem: foto de Francisco José Viegas

1 Comentários:

Blogger papalagui disse...

Vamos ver como corre agora...

12/1/06 07:34  

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terça-feira, janeiro 10, 2006

Eduardo Marcant Engeelsing (Da série Parabéns a Você)


Hoje faz aniversário alguém muito especial. Alguém a quem devo muito mais do que poderia dizer, pois se no princípio nossa relação fez-se de palavras, depois evoluiu para silêncios - que não necessariamente significaram distâncias. Mas as distâncias e os mares também se impuseram entre nós e testaram desde cedo nosso afeto, que a tudo venceu. E apesar de hoje ele amar um amor meu, e apesar de eu saber que as vezes vem aqui me ver, e apesar de eu estar devendo a revisão dos contos, e muitas cartas, e muitos mails, e apesar de dívidas tão inumeráveis quanto as estrelas, eu queria dizer pra ele que permanecem intocadas nossas manhãs de crença numa vida literária, repleta de sentidos inventados e de amigos de verdade, amigos pra vida inteira. Como nós fomos. Como nós somos e seremos...Por muitos e muitos anos...
Imagem: O Maltês

1 Comentários:

Anonymous tuca disse...

Parabéns, Marcant. Um grande beijo. Saudades.

11/1/06 19:30  

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Para as Margaridas e Elis (Da série mal-me-quer, bem-me-quer)

Percebam, senhoras e senhores, que nós nem íamos nos exibir com a homenagem que a Niña fez a todas nós e a Elis, mas já que a exibida colorida aí embaixo deu pra essas coisas, vejam a lindeza de texto que a moça fez em nossa homenagem.

O céus daqui (08/01/2005)

medium_edwardhopper.jpg









Faróis de lá. Céus daqui. Palavras do além-mar. Palavras que nos enviamos para estreitar laços. O dito sentido. O sentimento passado, presente. As visões de mundo caladas e com voz. As dores pintadas. Fotografias da alma trocadas, desarrumadas. Tu trazes tuas mãos, teus olhos e eu te entrego um sorriso e a minha caixa de fotos em preto e branco. Mais faróis para libertar o coração e ditar o caminho do encontro. Quando vocês aportaram em mim, eu não tinha farol e não sabia para onde mirar. O foco do meu olhar estava difuso entre horas e cafés de final de noite. Os faróis que eu via eram miragens. Imaginem que essa nuvem no céu de Hopper sou eu chegando mais perto da luz que vocês me trazem. E eu, abrindo asas, minhas asas de céu as envolvo com carinho que não respeita nenhuma geografia, nenhuma milhagem. Não, eu não posso voar. Mas abraço vocês de longe, com minhas asas feitas de nuvens de um céu aguado, rasgado de saudade de faróis que ainda não vi com os olhos de fora.

Para as Margaridas e Elis.

Imagem: The Lighthouse at Two Lights, 1929

2 Comentários:

Anonymous tuca disse...

Mas assim tem que ficar sissi mesmo, bem exibida colorida. Linda homenagem. Adorei o que escreveste, Niña. Beijo. Obrigada.

11/1/06 19:36  
Anonymous Anônimo disse...

Eu é que fico boba com essas surpresas que vocês me fazem.

Que bom que todas gostaram. Tuca te mando um beijão para derreter a neve, tá?

Niña

11/1/06 20:20  

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Para Gláucia (Da série hai-kai)



De todas no jardim
A pequena Margarida
É minha preferida
(solineuzza)

Depois quando a pessoa fica besta, sissi, de sobrancelha nova, orientador novo, analista nova e tudo o mais, acham que é exibida colorida. Mas não é pra ser? É ou não é pra ficar besta quando alguém escreve uma coisa assim tão fofa?

4 Comentários:

Anonymous Solineuzza disse...

Bafoooo!

10/1/06 23:19  
Blogger Gláucia disse...

Bafo total amiga. Além de estar sissi, estou me achando a pessoa literariamente mais bem relacionada do planeta.

10/1/06 23:23  
Anonymous Niña disse...

Que lindo. A Solineuzza provando mais uma vez que tem bom gosto de sobra... Saudades tuas, minha linda. Amanhã vamos botar o tricot em dia. Beijos,
Niña

11/1/06 02:23  
Blogger Gláucia disse...

Ai que bom. Nem que seja por emelho. Também estou com saudade e louca pra falar contigo. Bjos

11/1/06 02:33  

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Sonetos a Orfeu, II, 4 (Da série Sagrados e Consagrados)


Eis aqui o animal inexistente.
Sem saber, começaram a adorar
o passo, o porte, o dorso e lentamente
até a luz do seu sereno olhar.

Não existia. Mas de o amarem tanto,
fez-se puro animal. Deram-lhe espaço.
E no espaço, ele, claro, do seu canto
soergueu a cabeça, com cansaço

de ser. Não o nutriram com capim,
mas com eterno poder-ser, e assim,
de tal força dotaram o animal

que um unicórnio fez-se em sua testa.
Branco, o viu uma virgem, afinal,
e em seu espelho ele existiu e nesta.

(rainer maria rilke, trad. augusto de campos)

Imagem: m.c. escher (Unicorn-color)

1 Comentários:

Anonymous Solineuzza disse...

Vai lá no Megeras, no post dos poeminhas...

10/1/06 20:19  

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Capricórnio (da série Hai-Kais Astro-Lógicos)


A partir deste mês o Margarida Inventada inaugura a série dos Hai-kais Astro-Lógicos, que contará com a participação especial de Mr. Nar Scissors, colaborador eventual deste blog (minha fotografia fumando charuto, lembram, aquela que a Adelaide achou um bafo? É dele.) Neste mês, ele fez o hai-kai das capricornianas, e eu fiz o hai-kai dos capricornianos:

Fundo no solo
Lá enterram-se cascos
Tensa toso nacos
(nar scissors)

Eis capricórnio
ternura de lã, amor
de unicórnio
(gláucia)

3 Comentários:

Anonymous tuca disse...

Adorei os "hais-kais"! Adoro capricórnio! Beijo.

10/1/06 17:06  
Anonymous tuca disse...

Digo, hai-kais.

10/1/06 17:16  
Anonymous Anônimo disse...

O próximo é o meu. Hehehe.

11/1/06 17:35  

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segunda-feira, janeiro 09, 2006

Teus Beijos (Da série Imorais e Surreais)


Queria teus beijos molhados e famintos, sentir tua respiração ofegante próxima ao meu ouvido; tua língua brincando em meu rosto e em minha boca, a revelar os segredos escondidos nos teus ritmos, enquanto meu corpo inteiro sentia o desejo que vinha de ti. E eu me derretia toda por dentro, te desejando também. E te queria taças de vinho tinto, beijos intermináveis noite adentro. E te queria todo, inteiro, do olhar ao cheiro; tuas mãos passeando por meu corpo, teu gosto de surpresa; queria teus gestos mais suaves quando beijasses minhas costas nuas, passeando da nuca ao nunca, explorando minha geografia e descobrindo curvas onde ancorar teus desejos. Sim, queria mais do que beijos; mas, mais do que tudo, queria que me quisesses com esse ardor que inventei em ti.

Imagem: Renata Teixeira

2 Comentários:

Anonymous elisabete disse...

Somos adolescentes. E de repente estamos naquela sala de cinema, assistindo àquele filme todo, dando a mão, no escuro protegidos da curiosidade do mundo, trocando carícias, tentando adivinhar o que vai na alma do outro, querendo que ele esteja a sentir, a desejar o mesmo que nós.
E de repente crescemos. Os dois num só, naquele cantinho só nosso tornado paraíso de emoções, de sentidos. No desejo adivinhado, fundimo-nos nas carícias, nos beijos, nos abraços, no desejo realizado, do teu feito meu, eu feita tu, dois feitos um. Para sempre.

9/1/06 07:31  
Blogger Miranda disse...

Como dizem alguns margaridófilos, alguns comentários deveriam virar posts novos. Acho que estão certos. O que escreveste está lindo Elis. Lindo. Simplesmente lindo.
Bjs

9/1/06 22:18  

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domingo, janeiro 08, 2006

Flor de Açucena (Da série Trilhas Sonoras do Dia)


Quando acariciei o teu dorso
Campo de trigo dourado
Minha mão ficou pequena
Como a flor de açucena
Que delicada desmaia, desmaia
Sob o peso do orvalho


O meu coração cresceu
E cantou e cantou
Como um menino deslumbrado
Pelo brilho estrelado
Do teu olhar

O meu coração cresceu
E cantou e cantou
Como um menino deslumbrado
Pelo brilho estrelado
Do teu olhar

(Eudes Fraga e Thiago de Mello), cantado por Eliana Printes

Imagem: Pierre Joseph Redoute

5 Comentários:

Anonymous tucaretamozo disse...

Lindo, lindo, lindo!!! Margarida, me manda esta música... Beijo.

8/1/06 12:23  
Anonymous Niña disse...

Ai Margarida,

Eu estou despetalada aqui.
Beijos,
Niña

8/1/06 14:53  
Blogger Chico do Vale disse...

Glaucia, estou de volta a minha rotina. Depois de alguns dias no hospital, tudo correu bem e estou em casa. Ja comecei o ano postando uma foto. Apareça no meu blog pra ve-la. Feliz 2006 pra voces.

8/1/06 18:13  
Blogger Gláucia disse...

Chico, estamos muito felizes que tudo tenha corrido bem. Estávamos torcendo muito por ti.
Um feliz 2006 por aí também, a ti e a todos os que amas.

8/1/06 23:29  
Blogger Chico do Vale disse...

Obrigado a todos da familia Margarida pelas orações e força. A Juliana me disse que esteve com o Rogerio por esses dias e havia dado noticias minhas. Um grande abraco pra todos voces. No meu site ja tem algumas fotos novas. Espero poder em 2006 poder contribuir com algumas fotos bonitas para o seu blog.
Abracos para todos

9/1/06 09:04  

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sábado, janeiro 07, 2006

Death Wish (Da série Informes do Tempo)



Sábado à tarde, muito calor em Porto Alegre. A pessoa devendo pra si mesma as duas páginas do dia. Mas, muito empenhada em produzir, pretendendo comprar teclado ergonômico que fale sua língua (ABNT) para adaptar ao note, assim como um mouse decente, que o clitóris destinado a tal função já tinha dado nos nêlvo, adentra à loja especializada em produtos de informática. E dá de cara com um sujeito lerdo. Muito lerdo. E burro. Ora, a pessoa já não é paciente em condições normais de temperatura e pressão. Mas tendo que escrever taradamente, ler taradamente, sob um calor de 40º, e com dor em todo o corpo porque não consegue mais dormir de tanta tensão, a paciência se esgota com um pouco mais de facilidade. E o sujeito demora minutos pra processar o pedido, se mover em direção a um balcão, puxar o exemplar mais caro do produto solicitado e mostrar. Diante da pergunta sobre a existência de outra marca, surgem da estante, um a um, sob solicitação, os produtos das marcas concorrentes, em ordem decrescente de preço, evidententemente. E o cara some. E leva mais não sei quantos minutos para anotar os preços. E se move paquidermicamente, como se tivesse acabado de levar uma injeção de Haldol. A pessoa faz o que? Evidente: dá as costas e foge. Correndo. Literalmente. E a pergunta que não quer calar, quando essas coisas acontecem: como é possível que ocorram tão poucos homicídios dentro das lojas especializadas... seja no que for...
Imagem: Lisa Kimmell

2 Comentários:

Anonymous Leticia disse...

Gláucia, muito obrigada pelo comentário lá no blog. Para variar, que lindo o que você escreveu!
Sempre venho aqui em busca de coisas lindas. E não raro, acabo com lágrimas nos olhos. Mas é bom, sempre bom...

9/1/06 10:18  
Blogger Gláucia disse...

Letícia, vc merece. Nós merecemos carinho, né? Que bom que vir aqui te emociona. Que bom que é bom. Que bom q vc gostou da minha visita. Tbém gosto muito das suas. Bjos

10/1/06 03:45  

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Pois É (Da série Trilhas Sonoras do Dia)


Pois é, não deu,
Deixa assim, como está, sereno,
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver

Pois é, até
Onde o destino não previu
Sei mas atrás vou até onde eu conseguir
Deixa o amanhã e a gente sorri
Que o coração já quer descansar
Clareia minha vida, amor, no olhar

Composição: Marcelo Camelo - Los Hermanos

Imagem: Rui Vale de Souza

4 Comentários:

Anonymous Niña disse...

Harriet,

Só tu mesmo para postar essa música.
Vocês têm esse hábito de acertar sempre no alvo, em cheio. É por isso que sou viciada em Margaridas.

Beijo,
Niña

7/1/06 12:31  
Blogger Harriet disse...

E seu eu disser que estava pensando em ti quando postei? E se eu te contar que quando reli "pois é de deus tudo aquilo que não se pode ver", pensei na gente e pensei que amar alguém que a gente não viu só pode ser mesmo de deus.

7/1/06 13:02  
Blogger Harriet disse...

Se eu disser, tu vais sentir a mão no teu ombro?

7/1/06 13:03  
Anonymous Niña disse...

Vou sentir a mão no ombro e no coração. Porque as Margaridas têm sempre olhado dentro do meu coração e fazendo isso, sempre, sempre o tocam. E eu acredito que estavas pensando em mim pois, quando eu li o post, senti isso. E foi muito intensa leitura daquele verso.

Amo todas vocês. E talvez seja por isso que me sinto menos só. Há margaridas no meu jardim, que só é visto com olhos de dentro.

Niña

7/1/06 13:42  

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sexta-feira, janeiro 06, 2006

Blau Engel (Da série bem-me-quer, mal-me-quer)


Acho que já disse em algum lugar por aqui que nunca acreditei em anjos. E nunca achei que essa (des)crença tivesse qualquer contradição com minha paixão incondicional por It's a Wonderful Life, que assistia todas as noites de Natal, até esta última. E tampouco com o fato de ser apaixonada por Clarence, o anjo trapalhão que quer ganhar suas asas. Natal passado não assisti It's a Wonderful Life. Mas comecei a perceber sinais que indicam que talvez eu tenha sido escolhida como a missão de muitos anjos que estejam próximos de ganhar suas asas, ou que talvez as tenham perdido e estejam a tentar recuperá-las. Sobre alguns deles tenho falado, embora ainda não os houvesse identificado angelicalmente...Pois ontem apareceu mais um. De braços abertos. Receptivo e carinhoso. Doce. Espelhava, nos olhos azuis, o melhor do que já fui. Bondosamente, me fez recordar momentos de felicidade e superação, sugerindo, sutil, que muitos outros estarão a minha espera, logo ali. E me disse coisas fantasticamente repletas de sentido, que residem em mim, sem formulação, desde o início dos tempos: a maldade, pura e simples, só pode ser derivada da burrice. Eu também acho. Fora isso, resta apenas a loucura. Mas o mais importante: ele disse que não estou mais sozinha (em certas situações, como é o caso, nada pode ser melhor de ouvir). Fez mais do que dizer. Ele me olhou com olhos de acreditar, olhos que habilitam o melhor de nós: coragem pra ser o que a gente escolheu. Coragem pra tentar, pra apostar...Só pode ser um anjo. Quando parecia estar tudo perdido, apareceu. A pele clara, a inteligência penetrante, os gestos largos, o sorriso fácil. E eu ali, feliz, feliz, como alguém que, depois de ter tentado muito, sem sucesso, se comunicar, encontra alguém que fala a sua fala.
Imagem: Adolphe Bouguereau

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Madrigais Privados (Da série Sagrados e Consagrados)


Hai dato il mio nome ad un albero? Non è poco
pure non mi rassegno a restar ombra, o tronco
di un abbandono nel suburbio. Io il tuo
l'ho dato a un fiume, a un lungo incendio, al crudo
gioco della mia sorte, alla fiducia
sovrumana con cui parlasti al rospo
uscito dalla fogna, senza orrore o pietà
o tripudio, al respiro di quel forte
e morbido tuo labbro che riesce,
nominando, a creare; rospo fiore erba scoglio -
quercia pronta a spiegarsi su di noi
quando la pioggia spollina i carnosi
petali del trifoglio e il fuoco cresce.
(eugenio montale)


Deste meu nome a uma árvore? Não é pouca coisa;
embora não me resigne a ficar apenas sombra, ou tronco,
abandonado num subúrbio. Eu o teu
dei a um rio, a um longo incêndio, à minha sorte
cruel, à confiança
sobre-humana com que falaste ao sapo
que saiu do esgoto, sem horror ou pena
ou exaltação, ao alento daquele poderoso
e suave lábio teu que consegue,
nomeando, criar: sapo flores relva rocha —
carvalho pronto a desfraldar-se sobre nós
quando a chuva dispersa o pólen das carnosas
pétalas de trevo e a chama se levanta.
(trad. geraldo cavalcanti)

Imagem:Escape- Eduward Raymes

4 Comentários:

Anonymous Calypso disse...

O Tempo Aprazado

Vêm aí dias difíceis.
O tempo até ver aprazado
assoma no horizonte.
Em breve terás de atar os sapatos
e recolher os cães nos casais da lezíria,
pois as vísceras dos peixes
arrefeceram ao vento.
Mortiça arde a luz dos tremoceiros.
O teu olhar abre caminho no nevoeiro:
o tempo até ver aprazado
assoma no hoizonte.

Do outro lado enterra-se a amante,
a areia sobe-lhe pelo cabelo a esvoaçar,
corta-lhe a palavra,
impõe-lhe silêncio,
acha-a mortal
e pronta para a despedida
depois de cada abraço.

Não olhes em volta.
Ata os sapatos.
Recolhe os cães.
Lança os peixes ao mar.
Extingue os tremoceiros!

Vêm aí dias difíceis.

Ingeborg Bachmann, "O Tempo Aprazado"

Parei por aqui.:)

6/1/06 13:22  
Blogger Margarida disse...

Lindo, obrigada.

6/1/06 20:04  
Anonymous Niña disse...

Tu te puxaste, hein calypso?

Tem fila para ti tb?

7/1/06 13:48  
Blogger Harriet disse...

Niña,
o moço aí é apaixonadíssimo por uma Megera de Primeira Grandeza. Outra prova de bom gosto, não é?

7/1/06 19:59  

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Com exclusividade (Da série 'me segura qu'eu vou dar um troço')

É isso mesmo que os senhores estão vendo. Ele, o homem-banda, talento, sensibilidade, inteligência etc, tudo reunido na mesma xícara, enviou essa exclusiva confissão de vício para as flores desse jardim. Honradíssimas, confessamos: somos mesmo regadas com cafeína. Beijos, querido. Adoramos.

2 Comentários:

Anonymous tuca disse...

Adorei, Calexico. Achei lindo! Obrigada.

7/1/06 18:00  
Blogger César disse...

Cafeína, isso aí.

9/1/06 15:02  

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quinta-feira, janeiro 05, 2006

Vengo a ofrecer mi corazón (Da série trilhas sonoras do dia)


Vengo a ofrecer mi corazón

Composição: Fito Paez

¿Quién dijo que todo está perdido?
yo vengo a ofrecer mi corazón,
tanta sangre que se llevó el río,
yo vengo a ofrecer mi corazón.

No será tan fácil, ya sé qué pasa,
no será tan simple como pensaba,
como abrir el pecho y sacar el alma,
una cuchillada del amor.
Luna de los pobres siempre abierta,
yo vengo a ofrecer mi corazón,
como un documento inalterable
yo vengo a ofrecer mi corazón.

Y uniré las puntas de un mismo lazo,
y me iré tranquilo, me iré despacio,
y te daré todo, y me darás algo,
algo que me alivie un poco más.

Cuando no haya nadie cerca o lejos,
yo vengo a ofrecer mi corazón.
cuando los satélites no alcancen,
yo vengo a ofrecer mi corazón.

Y hablo de países y de esperanzas,
hablo por la vida, hablo por la nada,
hablo de cambiar ésta, nuestra casa,
de cambiarla por cambiar, nomás.

¿Quién dijo que todo está perdido?
yo vengo a ofrecer mi corazón.

(Eu ouço sempre a versão cantada pelo Cabrel com a Mercedes, que é o que há!!!)

Imagem: Armando Cardoso

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Mar Adentro (Da série 'me segura qu'eu vou dar um troço')


A Tíccia fez um post sobre Mar Adentro (02/01). Coincidência das coincidências (?), também vi na semana passada. O post e os comentários são um bafo. Entre eles, uma das frases maravilhosas, trazida por I.: "Cuando no puedes escapar, aprendes a llorar riendo."
Mas a Raquel, abençoada seja, (valeu Raquel), postou a íntegra de um poema do Ramón Sampedro (Javier Bardem), o poeta que é personagem principal do filme.

Mar Adentro


Mar adentro, mar adentro.
Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
es como penetrar al centro del universo.

El abrazo más pueril
y el más puro de los besos
hasta vernos reducidos
en un único deseo.

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras
'más adentro', 'más adentro'
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto,
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos".

(ramón sampedro)

Imagem: Jorge Coimbra

5 Comentários:

Anonymous Niña disse...

E eu vi o filme ontem.
Depois vêm me dizer que não existem sinais.

:)

5/1/06 02:26  
Blogger Margarida disse...

Eu sei que existem. Se não acreditasse até 2005, passaria a acreditar depois de te encontrar.

5/1/06 02:33  
Blogger papalagui disse...

Adoro o filme. Fez-me repensar a vida e depois da morte do meu pai repensei-a de novo, também à luz do filme. Não sei se isto faz muito sentido.

5/1/06 15:37  
Blogger Gláucia disse...

Papalagui,
Pra mim faz todo sentido, porque foi exatamente o que me aconteceu. Sabe aquela hora, no filme, em que ele (Ramón) diz q é verdade q os principais momentos da vida da gente passam como um filme quando se está a morrer? Sabe no que fiquei pensando? Se quem tem Alzheimer também relembra. Se meu pai relembrou. Se ele pensou alguma coisa, lembrou de alguma coisa, de alguma de nós... Pensei muito também sobre a crença q tenho de q ele preferiria ter morrido antes de ficar demenciado e totalmente dependente. Sobre uma dúvida que me aflige sempre: até quando ele foi ele mesmo, o que é ser alguém? Sempre achei a que a noção de ser alguém envolvia necessariamente a existência da memória de si. Mas basta pensar um pouco mais sobre isso pra ver que o argumento não é válido, sob pena de excluirmos da condição de sujeitos os demenciados, os incapazes de raciocínio lógico, etc...
Na verdade, só queria dizer que eu tbém repensei tudo e q isso faz muito sentido pra mim.
Um beijo,

6/1/06 01:19  
Blogger papalagui disse...

Gláucia, em relação ao meu pai tenho a certeza de que ele preferiria morrer antes de ter ficado dependente, coisa que durou pouco tempo. Morreu de câncer do pulmão e foi uma morte rápida, felizmente. De resto, quando ele morreu tive a mais estranha das sensações, senti que ele já estava longe e ali tinha ficado apenas o que restou dele. Beijos grandes

6/1/06 08:22  

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